Um bebé morreu no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, cerca de 15 dias após nascer em casa, alegadamente por decisão da mãe que se intitula doula. O parto estava marcado para indução, mas a mãe não compareceu, o que motivou uma denúncia dos médicos às autoridades.
O recém-nascido chegou ao hospital transportado pelo INEM em paragem cardiorrespiratória e apresentava encefalopatia hipóxico-isquémica grave, indicativa de asfixia durante o parto. O quadro clínico levou ao falecimento cerca de uma semana e meia depois.
A mãe terá sido acompanhada durante a gravidez por uma obstetra particular, segundo o Expresso. Esta médica já enfrentou queixas por alegada má prática; o Conselho Disciplinar Regional do Sul da Ordem dos Médicos mantém-se indisponível para comentar processo em curso, mas afirmou que não há suspensão.
Durante o parto, a paciente contou com uma enfermeira-obstetriz. A Unidade Local de Saúde (ULS) de Santa Maria não comentou o caso especificamente, mas reconheceu que há episódios de complicações em partos realizados em domicílio, com sequelas em muitos casos.
Contexto sobre partos em casa
Desde 2023, a ULS aponta que há cerca de um caso por ano de complicações associadas a partos em casa, com um óbito registado e sequelas neurológicas em parte dos recém-nascidos internados na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais. O INEM e parceiros atenderam 277 partos pré-hospitalares em 2025, 153 deles em domicílio.
O Ministério da Saúde tem reiterado preocupações sobre partos em casa, salientando que não há equipa clínica adequada nesses contextos. Dados do INE indicam que o total de partos em casa é superior a 800 por ano, com contínuo aumento nos últimos anos.
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