Os docentes do 1.º ciclo e os educadores de infância enfrentam desgaste, sensação de desvalorização e burocracia excessiva, segundo um inquérito envolvendo mais de 7 mil profissionais. O estudo aponta ainda uma perceção de desigualdade face a outros ciclos de ensino.
Entre os resultados, 86% consideram a monodocência uma profissão de desgaste rápido e 48,6% pensam em abandonar a carreira com alguma frequência. Além disso, 72% dizem que há insuficiência de recursos humanos nas escolas e registam, em média, 6,8 horas de trabalho extra não remuneradas.
O levantamento foi realizado entre 27 de fevereiro e 4 de março, com 7072 respostas válidas de docentes de educação pré-escolar e 1.º ciclo, de 236 concelhos e 547 agrupamentos. A maioria relata acumular funções administrativas que vão para além da prática pedagógica.
A saúde dos profissionais também é afetada: 73,4% sentem cansaço extremo, 62% sofrem de ansiedade e 52,6% referem dores físicas. Conciliação entre vida profissional e familiar é indicada por 35,3% dos alunos.
Desigualdades e carga horária
Os docentes de monodocência apontam uma carga horária semanal de 25 horas, superior aos 22 horas de colegas de outros níveis. A falta de reconhecimento e de medidas de alívio ao longo da carreira são apontadas como fatores de desgaste.
Dados demográficos revelam que estes profissionais são entre os mais velhos da classe: 73,5% têm mais de 20 anos de serviço. A média de idade é de 55 anos entre educadores do pré-escolar e 51 anos entre professores do 1.º ciclo.
Regime de aposentação e propostas
Uma das críticas centrais é a perda, desde 2005, do regime excepcional de aposentação que compensava a redução horária por antiguidade, diferente de outros ciclos. Não houve, até ao momento, uma equiparação implementada.
Em 85% das respostas abertas, os docentes solicitam a criação de um regime especial de aposentação. O grupo propôs, na Comissão Parlamentar de Educação, a possibilidade de aposentação sem penalização aos 60 anos para o 1.º ciclo e pré-escolar, ou um regime equiparável sem titularidade de turma a partir dos 55 anos.
Pedidos de intervenção
Os docentes defendem a abertura de uma mesa negocial com sindicatos para debater a equidade da monodocência. Propõem a criação de um grupo de trabalho para a desburocratização do 1.º ciclo e pré-escolar, com transferência de tarefas administrativas para outros serviços.
Solicitam reforço de assistentes operacionais, técnicos especializados (psicólogos, terapeutas) e de docentes de educação especial e apoio educativo, bem como a contratação de técnicos administrativos para apoiar a direção de turma. A promessa anunciada pelo Ministério da Educação ainda não se concretizou.
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