A inteligência artificial (IA) está a transformar os cuidados de saúde na Europa, acelerando diagnóstico, desenvolvimento de medicamentos e a redução da carga de trabalho dos profissionais. Várias nações já recorrem à IA nos seus sistemas de saúde para diferentes funções, desde formação de profissionais até análise de dados médicos.
Segundo o diretor regional da Organização Mundial de Saúde para a Europa, Hans Kluge, a IA já é uma realidade para milhões de profissionais e doentes. O aviso é simples: sem estratégias claras, proteção de dados e investimento em literacia digital, há risco de aumentar desigualdades em vez de as reduzir.
A aposta na IA envolve também riscos, entre eles a privacidade dos dados e a representatividade de determinados grupos nos algoritmos. Além disso, surgem dúvidas sobre responsabilização jurídica e acesso equitativo às tecnologias, segundo avaliações recentes da OMS.
Investimento e cooperação internacional
Em janeiro de 2026, a Fundação Gates e a OpenAI anunciaram um financiamento de 50 milhões de dólares para desenvolver capacidades de IA na saúde em África, com o objetivo de chegar a 1000 clínicas de cuidados primários até 2028, a partir de Ruanda. O apoio inclui financiamento, tecnologia e assistência técnica.
Em paralelo, médicos europeus já utilizam ferramentas de IA para transcrição de notas e preenchimento de formulários, o que reduz o tempo dedicado a burocracia e aumenta o tempo de contacto com os doentes. Outras aplicações emergentes visam apoiar o diagnóstico com antecedência de doenças, acelerando o acesso a tratamentos.
Desafios e vigilância
Especialistas destacam a necessidade de salvaguardas para que modelos de IA não sejam usados sem controlo, especialmente quando se trata de dados biológicos sensíveis. As lacunas na responsabilização e a necessidade de formação contínua para profissionais são pontos repetidamente mencionados por entidades de saúde.
Estudos recentes alertam para o uso de modelos de linguagem como ferramenta de apoio médico, com avisos sobre a avaliação de urgência e qualidade do aconselhamento. A OMS reforça que apenas uma parte dos Estados-membros tem estratégias nacionais de IA para a saúde.
Conferência e perspetivas futuras
Várias perguntas permanecem sem resposta: quem regula o acesso aos dados utilizados para treinar IA, quem controla a qualidade dos modelos e como assegurar que os ganhos são distribuídos de forma justa. Profissionais de saúde e investigadores vão debater estes temas na Euronews Health Summit, marcada para 17 de março em Bruxelas.
Entre na conversa da comunidade