A plataforma informal TAMLA, que reúne associações e movimentos da região, pediu ao Governo a inspeção dos contentores de um navio suspeito de transportar material militar para Israel, com escala prevista no Porto de Sines. A iniciativa surge no contexto de alertas de dois navios envolvidos numa cadeia logística associada aos fornecimentos ao Exército israelita.
Segundo a TAMLA, o navio MSC Danit tem uma escala marcada para este sábado, 14 de março de 2026, às 23:00, em Sines. A plataforma afirma que a paragem faz parte de uma rota ligada a uma indústria indiana, com relação a empresas que fornecem munições. O segundo navio, o MSC Siena, já terá passado por Sines e segue para Valência, sem inspeção.
A plataforma defende que as autoridades portuguesas devem exercer o controlo com base no Tratado de Comércio de Armas e na Convenção para Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio, impedindo o trânsito de material que possa sustentar crimes de guerra. Também pede que não haja uso do porto como entreposto militar.
A TAMLA aponta que, segundo análise de transporte, podem estar envolvidos aço militar, cápsulas de munição e outros componentes usados na produção de munições e projéteis. A defesa de direitos humanos é apresentada como prioridade, com foco em justiça social e ambiental.
Na esfera política, o deputado único do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, questionou o Governo sobre a escala em Sines. Pergunta se há conhecimento da operação e que diligências foram tomadas para verificar o manifesto de carga, garantindo que não haja material militar destinado a Israel.
Figueiredo também indaga se o Governo está disponível para negar entrada em porto ou serviços logísticos a navios que integrem a cadeia de abastecimento militar do Estado de Israel, à luz de decisões do Tribunal Internacional de Justiça sobre prevenção de atos de genocídio em Gaza. O deputado quer saber que medidas cabem aos portos portugueses para evitar entraves a embargos regionais.
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