- A ecoansiedade é o conjunto de respostas emocionais da população perante a antecipação e vivência dos fenómenos associados às alterações climáticas, explicada pela psicóloga Teresa Pereira.
- Os fenómenos meteorológicos extremos — como altas temperaturas, secas, incêndios e tempestades mais frequentes — afetam direta e indiretamente as pessoas, também a nível de saúde mental.
- Em Portugal, um “comboio de tempestades” causou danos generalizados, com a região Centro fortemente afetada e prejuízos estimados acima de mil milhões de euros nos dez municípios da Região de Leiria.
- A ecoansiedade pode incluir ansiedade, preocupação, medo, raiva ou culpa, bem como alterações de sono e de rendimento; não é uma patologia, mas pode exigir apoio de saúde mental quando interfere na vida diária.
- Entre as estratégias para lidar com a ecoansiedade estão a ação ambiental, o envolvimento em grupos com foco ambiental, o contacto com a natureza e a promoção de literacia, aliadas a abordagens tranquilas e realistas nas escolas.
A ecoansiedade é um termo que descreve as respostas emocionais da população face à antecipação e vivência de fenómenos associados às alterações climáticas. Psicólogos destacam que estes sentimentos variam entre ansiedade, preocupação, medo, raiva e culpa, afetando rotinas diárias.
Impactos não se limitam aos danos visíveis de eventos extremos. Em Portugal, recentes tempestades causaram prejuízos superiores a mil milhões de euros na região Centro, segundo a CIM da Região de Leiria. Além disso, a saúde mental dos cidadãos pode ficar comprometida.
Este fenómeno ganha relevo quando os média trazem novas informações sobre as alterações climáticas. A psicóloga Teresa Pereira explica que a ecoansiedade abrange respostas emocionais à antecipação e à exposição a evidências sobre o tema. O conceito ganhou expressão na década de 2000 e foi definido pela APA como um medo crónico da degradação ambiental.
A manifestação pode ocorrer de forma direta, com sintomas de ansiedade, depressão ou stress pós-traumático, ou indiretamente, através de preocupações que não envolvem a vivência de um evento específico. A infraestrutura pública, a agricultura e os rendimentos podem amplificar o impacto na saúde mental.
A influência mediática é outro vetor relevante. O aumento de informações e imagens sobre fenómenos climáticos pode intensificar a percepção de risco entre a população, incluindo crianças e jovens. A especialista sublinha que a ecoansiedade tende a surgir mais nesses contextos.
Apesar da variedade de sintomas, a ecoansiedade é vista como uma resposta adaptativa normal ante fenómenos de grande dimensão. Não é uma patologia, mas pode exigir apoio profissional se comprometer a vida diária. O papel da comunidade, da família e de professores é crucial.
Para lidar com o fenómeno, destacam-se estratégias baseadas na ação ambiental – participar em iniciativas pró-ambientais pode promover sensação de utilidade, controlo e esperança. O apoio social, grupos de discussão e o contacto com a natureza também aparecem como caminhos úteis.
Estudos internacionais mostram variações: a Europa apresenta diferenças entre países, com elevados níveis de ecoansiedade na Alemanha e Espanha, e valores mais baixos na Eslováquia e na Estónia. Em Portugal, a preocupação tem crescido, acompanhando a intensificação de incêndios e tempestades.
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