- A Anthropic publicou um relatório com a métrica “exposição observada”, distinguindo o que a IA poderia fazer teoricamente do que já está a ser efetivamente utilizado no mercado de trabalho.
- A cobertura teórica da IA é elevada em informática e matemática (94,3%), bem como em negócios e finanças (94,3%), com outros grupos acima de oitenta por cento, incluindo gestão, apoio de escritório, jurídico, arquitetura e engenharia e artes e média.
- Setores com menor potencial de IA incluem transportses (12,1%), agricultura (15,7%), restauração (16,9%), construção (16,9%), cuidados pessoais (18,2%) e produção industrial (19 %).
- A exposição observada é mais alta em informática e matemática (35,8%), seguida de secretariado/apoio administrativo (34,3%), negócios e finanças (28,4%) e vendas (26,9%).
- Entre profissões, programadores informáticos têm a maior exposição observada (74,5%), seguidos de assistentes de apoio ao cliente (70,1%), operadores de introdução de dados (67,1%) e especialistas em registos médicos (66,7%); até ao momento não houve aumento sistemático do desemprego em áreas fortemente expostas desde final de 2022.
A Anthropic, gigante da inteligência artificial, divulgou um relatório que compara a capacidade teórica da IA com a exposição observada no mercado de trabalho. O estudo usa dados de utilização real do Claude para medir o impacto já visível. O objetivo é entender onde a IA já atua e onde ainda está longe de alcançar o potencial.
A análise apresenta uma nova métrica, a exposição observada, que distingue o que a IA poderia fazer em teoria do que já faz na prática. Enquanto a capacidade teórica indica o potencial, a exposição observada mostra a aplicação efetiva nas tarefas diárias.
A pesquisa cobre 22 grupos profissionais e aponta que a cobertura teórica da IA ultrapassa 80% em vários setores, com informática, matemática, negócios e finanças no topo, ambas as áreas com 94,3% de potencial teórico.
Capacidade teórica vs exposição observada
Entre os grupos com maior captação teórica, surgem gestão (91,3%), apoio de escritório (90%), jurídico (89%) e artes e media (83,7%). Em cinco grupos, o potencial supera 50%, incluindo ciências da vida e sociais (77%), vendas (62%) e educação e bibliotecas (61,7%).
A área demonstrada em vermelho no relatório mostra onde a adoção do Claude já está mais presente em contextos profissionais, destacando também tarefas fora do alcance da IA, como algumas funções jurídicas ou agrícolas físicas.
Setores com maior e menor potencial
A análise indica menor potencial em manutenção de espaços exteriores (3,9%) e em setores como transportes (12,1%), agricultura (15,7%), restauração (16,9%), construção (16,9%), cuidados pessoais (18,2%) e instalação/reparação (18,4%). Estes grupos apresentam cobertura teórica abaixo de 20%.
Ainda assim, há setores com cobertura observada relevante, incluindo informática e matemática (35,8%), e apoio administrativo (34,3%). Negócios e finanças (28,4%) e vendas (26,9%) também mostram exposição expressiva.
Exposição observada por função
A relação entre capacidade teórica e exposição observada revela onde o potencial já está a ser aproveitado. Vendas lideram com 43% de exposição (27% face à capacidade de 62%), seguidas de secretariado (38%) e de informática e matemática (38%).
A exposição observada em relação à capacidade teórica situa-se em 30% para negócios e finanças e para educação e bibliotecas. Apesar de arquitetura e engenharia terem alta capacidade teórica (85%), a exposição fica em 5%.
Profissões mais expostas
Entre cargos específicos, programadores informáticos apresentam a maior exposição observada, 74,5%. Seguem-se assistentes de apoio ao cliente (70,1%), operadores de introdução de dados (67,1%) e especialistas em registos médicos (66,7%).
Outros lugares de destaque vão para analistas de estudos de mercado (64,8%) e representantes comerciais no sector de grosso e indústria transformadora (62,8%). A investigação aponta que trabalhadores mais velhos, com maior escolaridade e salário, tendem a ter maior exposição, com maior probabilidade de serem mulheres.
Observações finais do estudo
O relatório não identificou um aumento sistemático do desemprego entre profissões fortemente expostas desde o final de 2022. No entanto, indica sinais de travagem na contratação de jovens nesses setores, a necessitar de monitorização.
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