- Estudo do Instituto Politécnico de Leiria, através do CARME, com 688 respostas, aponta ansiedade meteorológica elevada ou extrema no distrito de Leiria após a tempestade Kristin.
- No impacto no bem-estar, 61,4% relataram risco elevado ou extremo para a integridade física própria ou da família, 58,5% no bem-estar emocional e 54,2% sofreram perturbação na rotina.
- Em habitação e economia, 71,4% tiveram danos moderados a totais na habitação, quase 10% perderam a habitação, 40% sofreram danos na atividade profissional e um terço registou perdas de rendimento.
- Entre quem sofreu danos na habitação, 23,3% não tinham qualquer seguro; 40% não tinham seguro para perda de rendimento; 20% tinham cobertura total para danos na habitação.
- InfraestruturasFundamentais: quase um terço ficou cinco semanas ou mais sem comunicações e mais de metade sem eletricidade por mais de duas semanas; a fase quantitativa encerra e seguirá com entrevistas a entidades públicas e privadas, com conclusão prevista para setembro.
Mais de metade dos inquiridos num estudo sobre a tempestade Kristin no distrito de Leiria indica ansiedade meteorológica elevada ou extrema. O trabalho, coordenado por Ricardo Cavadas, usa dados recolhidos quatro meses após a ocorrência de Kristin. O objetivo é avaliar impactos na saúde mental, no bem-estar e na vida quotidiana.
O estudo, denominado Sistemas de resposta a crises, impacto da tempestade Kristin, já reuniu 688 respostas válidas. Os resultados mostram 61,4% com impacto elevado ou extremo no risco para a integridade física de pessoas e famílias durante a crise. O bem-estar emocional foi afetado para 58,5%.
A ansiedade meteorológica elevada ou extrema foi reportada por 55,8%, com medo de novos alertas ou tempestades. Além disso, 54,2% referiram perturbação significativa na rotina diária. O investigador principal ressalta que Kristin foi uma experiência traumática para uma parte significativa da população.
No âmbito dos danos na habitação, 71,4% relataram danos moderados a totais, com quase 10% a considerar a perda total da habitação. Sobre a atividade económica, 40% indicaram danos moderados a totais na atividade profissional, e cerca de um terço registou perdas de rendimento.
Entre os entrevistados com danos na habitação, 23,3% não tinham seguro. Entre os que perderam rendimento, 40% não possuíam seguro para esse cenário. Um quinto recebia cobertura total para danos em habitação, segundo o corpo docente do Politécnico de Leiria.
Quase um terço ficou sem comunicações cinco semanas ou mais, e mais de metade ficou sem eletricidade durante mais de duas semanas. A equipa de Cavadas aponta para uma recuperação económica lenta e sem rede de segurança financeira para grande parte da população.
O estudo já iniciou a fase qualitativa, com entrevistas a autarquias, Governo, Proteção Civil, empresas de infraestruturas e instituições de solidariedade. A conclusão desta segunda fase está prevista para setembro, com divulgação de resultados às autoridades locais e nacionais.
Dados e perspetivas
O CARME, Centro de Investigação Aplicada em Economia e Gestão, dirige a investigação. A equipa acrescenta que a tempestade provocou impactos duradouros no bem-estar e na resiliência financeira dos residentes no distrito de Leiria. A análise visa informar estratégias de resposta a crises em contextos semelhantes.
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