- O fenómeno das ilhas de calor urbana aumenta as temperaturas nas zonas densamente construídas entre dois a dez graus Celsius em relação às áreas com vegetação.
- As causas principais são: materiais que absorvem calor (asfalto, betão, tijolo); escassez de vegetação; calor gerado por atividades humanas; e obstrução de ventos por edifícios altos.
- A população europeia é fortemente afetada por este fenómeno, que agrava o desconforto, aumenta riscos de saúde e contribui para o aquecimento global.
- Soluções destacadas passam por substituir betão por áreas verdes, criar sombra (paragens, ruas) com materiais leves, pintar telhados de branco e reforçar transportes públicos para reduzir o uso do carro.
- Em paralelo, a seca crescente, como na Hungria, agrava a pressão sobre árvores urbanas e espaços verdes, com previsões de agravamento da seca e menos precipitações nas próximas semanas.
Nas grandes cidades, o calor persistente não dá tréguas à vida nocturna, afeta pessoas, animais e plantas. Especialistas defendem soluções se o problema for levado a sério.
O fenómeno, conhecido como ilha de calor urbana, faz o microclima nas áreas densamente construídas ficar entre 2 a 10 C mais quente que zonas com vegetação. Estradas, prédios e telhados absorvem calor; falta de sombra agrava o efeito.
A água evapora menos em cidades sem vegetação, o que reduz o arrefecimento natural. O calor prolongado aumenta o risco de golpes de calor, problemas respiratórios e piora a qualidade do ar. Edifícios altos bloqueiam o vento.
Soluções e recursos
O ar condicionado ajuda momentaneamente, mas consome muita energia e agrava as emissões. Ventiladores ajudam pouco em escalas urbanas. A especialista Diana Ürge-Vorsatz defende substituir betão por vegetação e criar sombras onde não houver espaço.
Plantas com folha verde libertam vapor de água e reduzem a sensação de calor. Árvores podem reduzir a temperatura entre 2 °C e 10 °C, dependendo do local. Coberturas e telhados branqueados refletem radiação solar e ajudam a arrefecer ruas.
Progessos na mobilidade e no calor passam pela expansão de transportes públicos. Menos carros significam menos emissões de calor urbano, menos vias pavimentadas e menor necessidade de parques de estacionamento.
O consumo digital também eleva o uso de energia. Servidores e data centers funcionam 24 horas, exigindo refrigeração constante. Reduzir a demanda de dados pode baixar o consumo energético e as emissões associadas.
Efeitos da seca e perspetivas
Na Hungria, o deficit de água no solo já atinge níveis de final de agosto, prevêm especialistas. Com seca persistente, o plantio de áreas verdes perde eficácia, e árvores jovens não sobrevivem sem rega adequada.
Budapeste é citada como exemplo: o peso das árvores grandes representa boa parte da massa foliar da cidade. O cenário aponta para perdas significativas caso não haja rega suficiente nas próximas décadas.
O arquiteto ambiental Sándor Bardóczi alerta que, sem humidade, o ecossistema do solo se degrada, afetando fungos e bactérias benéficas. A consequência é uma queda gradual da folhagem e uma reação de estagnação vegetal.
O Hungar Met adianta que ondas de calor se tornam mais frequentes e duradouras. As previsões apontam para poucas precipitações nas próximas semanas, agravando a seca e os seus impactos.
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