- A Deezer lançou um detector gratuito que identifica faixas 100% geradas por IA nas playlists, disponível para utilizadores de serviços de streaming.
- A plataforma revela ter quase 75.000 faixas geradas por IA diariamente, representando mais de 44% do seu conteúdo musical novo, com aumento face a início de 2025.
- Um estudo de 2024 da Cisac indica que cerca de 25% da receita dos artistas, ou 4 mil milhões de euros por ano, poderiam ser desviados por músicas criadas com IA até 2028.
- Uma pesquisa conjunta da Deezer e da Ipsos mostrou que 80% dos entrevistados querem que as músicas geradas por IA sejam claramente identificadas nas plataformas.
- A indústria avança para regular a IA: o Spotify, em parceria com a Universal Music Group, lançou uma funcionalidade paga para criar remixes e covers com IA; a Universal e a Warner já anunciaram acordos com a Udio.
O setor musical está a agir de forma coordenada para salvaguardar direitos de autor face à ascensão de conteúdos gerados por IA. A iniciativa pretende reduzir o risco de desvio de receitas para obras criadas com apoio de inteligência artificial.
Deezer lançou um detetor gratuito que identifica faixas 100% criadas por IA nas playlists dos utilizadores. A ferramenta é utilizável por quem usa serviços de streaming populares, facilitando a deteção de conteúdos potencialmente problemáticos.
A plataforma francesa afirma que a inclusão de IA representa um desafio relevante para os direitos dos criadores, com quase 75 mil faixas geradas por IA a entrar diariamente no seu catálogo, o que corresponde a mais de 44% do conteúdo musical novo.
A cisac, rede global de sociedades de gestão de direitos, estimou em estudo de 2024 que cerca de 25% da receita dos artistas, ou seja cerca de 4 mil milhões de euros por ano, poderia ficar em risco até 2028 devido a obras geradas por IA.
Os utilizadores também desejam maior transparência: uma parceria entre Deezer, Ipsos e a própria plataforma revelou que 80% dos inquiridos defendem a identificação clara de conteúdos gerados por IA em serviços de streaming.
Nos Estados Unidos, músicas de country criadas com IA já ganham lugares nas tabelas, como Breaking Rust e Aventhis, sinalizando impacto comercial. Em França, a faixa Magique, de Willy l’Ancien, tem registado sucesso significativo.
No mesmo sentido, a indústria tem avançado com acordos e experiências estratégicas. O Spotify, em parceria com a Universal Music Group, abriu no fim de maio uma funcionalidade paga para remix e covers com IA. A Universal e a Warner já tinham anunciado acordos com a UdIo, plataforma de IA generativa que permite criar músicas completas, incluindo vocais e instrumentais.
Detetor de IA e regulações
A Deezer aponta que a ferramenta representa um passo inicial para proteger o fundo de direitos de autor. A empresa afirma que a detecção pode impedir diluição de receitas futuras para criadores.
A necessidade de regulação e de acordos entre plataformas, editoras e produtores é destacada pela indústria. Empresas e associações defendem mecanismos que assegurem reconhecimento, remuneração adequada e respeito pelos direitos dos artistas.
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