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Massificação de imagens geradas por IA pode cultivar ceticismo sobre momentos históricos

Massificação de imagens geradas por IA do Holocausto pode alimentar ceticismo histórico e exigir regulação das plataformas e literacia visual

Imagem gerada com Inteligência Artificial publicada numa das páginas identificadas pelo PÚBLICO
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  • O memorial de Auschwitz denuncia que várias contas no Facebook difundem imagens do Holocausto criadas por Inteligência Artificial, distorcendo a compreensão da história.
  • Peritos alertam para o risco de cepticismo generalizado: se há muitas imagens falsas, pode tornar-se difícil distinguir o que é verdade.
  • Investigação da BBC mostrou redes que lucram com imagens de IA do Holocausto e monetização em plataformas como Facebook, YouTube e TikTok.
  • Especialistas defendem regulamentação pelas plataformas e maior literacia digital; sem isso, o conteúdo manipulado pode proliferar.
  • O ensino da História, desde o básico ao superior, deve intensificar a literacia visual e a crítica de fontes para identificar documentos autênticos e sinais de manipulação.

O memorial de Auschwitz denuncia que várias contas no Facebook divulgam imagens do Holocausto criadas por IA. A partilha de essas distorções facilita a erosão da compreensão factual da história e aumenta o risco de desinformação. A notícia aponta que qualquer pessoa pode gerar conteúdos semelhantes, com impacto potencial nos sistemas de regulação.

A investigação do PÚBLICO identificou dezenas de páginas a partilhar imagens falsas do Holocausto, bem como de outros momentos históricos. As narrativas emotivas acompanham as imagens, que parecem reais à primeira vista, mas não existem em arquivos históricos; o conteúdo surge de fontes pouco credíveis.

A presença de IA facilita a massificação de conteúdos, explica o historiador Miguel Cardina. A alegação de veracidade depende do contexto, e a emoção associada às imagens favorece a sua viralidade nos algoritmos das plataformas. A propaganda visual ganha força sem contexto historiográfico.

Regulamentação e responsabilidade das plataformas têm de evoluir, defendem especialistas. Segundo Nuno Moniz, é extremamente difícil impedir total utilização da IA, sendo essencial o papel das plataformas para conter a desinformação. A presença de marcas de água é pouco frequente.

A BBC já mostrou que existem redes que lucram com imagens de IA do Holocausto. Em plataformas como Facebook, o ganho depende de convites e de conteúdos premium para públicos específicos. Em TikTok e YouTube, a monetização é mais acessível, o que incentiva a produção de conteúdos de IA.

A IA pode alterar a maneira como interpretamos o passado. Experimentos com modelos de linguagem mostram que dados e narrativas variam conforme a língua, o que também se aplica a imagens. A massificação de conteúdos facilita a disseminação de versões manipuladas da História.

Perigos que se destacam vão além da simples curiosidade. A massificação pode alimentar o cepticismo, levando alguns a questionar a veracidade de imagens até mesmo quando possam ser autênticas. Conteúdos criados para gerar interações podem ter efeitos duradouros na percepção histórica.

Medidas sugeridas passam pela literacia visual nas escolas e pela regulação das plataformas. Aumentar o ensino de leitura crítica de fontes históricas e de sinais de manipulação é visto como ferramenta central. O foco é capacitar os estudantes a distinguir documentos autênticos de imagens criadas digitalmente.

Conclui-se que, sem responsabilização das plataformas, o ónus recai sobre a educação e a jornalismo. O objetivo é fortalecer a literacia histórica desde o ensino básico até ao superior, preparando os cidadãos para identificar imagens manipuladas e compreender o contexto histórico.

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