O Papa Leão XIV pediu o desarmamento da Inteligência Artificial (IA), apresentando a encíclica Magnifica Humanitas na segunda-feira. O Santo Padre afirma que desarmar a IA significa afastá-la de uma lógica de competição armada, que hoje é económica e cognitiva, sem rejeitar a tecnologia. O objetivo é manter a dignidade humana no centro do progresso técnico.
A encíclica aponta a encruzilhada da humanidade entre deixar a tecnologia ditar a civilização ou colocar a dignidade da pessoa no centro, orientando o desenvolvimento como instrumento. Leão XIV alerta para riscos da IA especialmente em três áreas: verdade, trabalho e liberdade.
No capítulo sobre a verdade, o Papa sustenta que a informação verídica não nasce de um controlo automatizado, requer validação de fontes e responsabilidade argumentativa. Quando a verdade perde interesse e surge apenas o utilitarismo, a vida democrática abala-se, diz o pontífice.
Sobre o trabalho, o líder da Igreja descreve novas formas de precariedade e desigualdade, com remunerações altas para uma minoria especializada e salários baixos para muitos. A IA deve ser acompanhada por políticas de proteção do emprego, requalificação e participação dos trabalhadores.
Leão XIV propõe políticas ativas de formação contínua para todos, sem que o custo da adaptação às mudanças recaia sobre os indivíduos. A liberdade, acrescenta, não é apenas interna, mas também uma questão pública que requer regras justas, responsabilidade partilhada e educação.
A encíclica destaca ainda a concentração de dados e poder nas grandes empresas tecnológicas. A IA tende a reforçar os recursos de quem já detém meios económicos, competências e dados, permitindo que grupos influentes orientem informação e consumo e condicionem democracias. O Papa sublinha que as escolhas sobre fluxos económicos, plataformas digitais, dados e algoritmos não devem ficar nas mãos de poucos.
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