- O Irã está a viver o 75.º dia de bloqueio total à Internet, o mais longo já registado, segundo a NetBlocks.
- O apagão iraniano supera os 72 dias de bloqueio que ocorreram no Mianmar em 2021, durante o golpe militar.
- Registos da NetBlocks indicam ainda que os bloqueios mais longos a seguir são o Sudão (36 dias, 2019) e outubro de 2021 (25 dias).
- O atual bloqueio começou com a ofensiva anunciada a 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram ações contra o Irã.
- O Governo aplica o esquema “Internet Pro” com acesso por níveis e cartões brancos, gerando acesso desigual e contestação pública.
O Irão mantém o bloqueio de acesso à Internet há 75 dias consecutivos, o mais longo registado pela organização NetBlocks. A entidade londrina contabiliza que a suspensão superou o equivalente a 72 dias enfrentados pela Myanmar em 2021, após o golpe militar.
Segundo a NetBlocks, o apagão iraniano tornou-se no maior bloqueio nacional verificado e o mais prolongado num país com sociedade fortemente conectada. Outros casos longos ocorreram no Sudão, em 2019 (36 dias) e em 2021 (25 dias).
O quinto bloqueio mais longo, também associado ao Irão, ocorreu durante protestos em janeiro, quando a internet foi desligada por 20 dias. O atual bloqueio começou após o início da ofensiva militar dos EUA e de Israel em fevereiro.
A organização ressalva que há registos de interrupções em países com acesso menos generalizado, como Coreia do Norte e Líbia, mas não com o mesmo alcance. O impacto é avaliado como significativo na comunicação pública e na economia digital.
O Governo iraniano justifica as medidas sob questões de segurança nacional, enquanto a população enfrenta restrições que alteram o acesso a serviços online. A imposição tem gerado debates sobre discriminação de acesso.
Internet Pro: acesso por níveis e tarifas diferenciadas
O regime introduziu o modelo chamado Internet Pro, gerido por organismos superiores ao Governo, com o Centro Nacional do Ciberespaço a coordenar a implementação. O sistema pressupõe um acesso por níveis, onde o direito de ligação deixa de ser público para se tornar um serviço limitado e pago.
De acordo com o jornal Shargh, este esquema acarreta desigualdade entre quem tem ligação e quem não tem, e também entre os próprios beneficiários, com consequências para a participação cívica e o jornalismo online.
A Administração iraniana admite a existência de redes autorizadas que mantêm serviços sob censura em determinadas situações. O debate público centra-se na eficácia, custos e impacto de longo prazo sobre a liberdade de expressão.
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