- Empresas de pagamentos e retalhistas preparam-se para uma era em que agentes de IA poderão gerir todo o processo de compra online, desde a seleção até à transação e entrega.
- Um agente de IA pode receber instruções, comparar preços, decidir o que comprar e tratar de tarefas relacionadas com a compra, incluindo o dia de entrega.
- Um cenário avançado permite que o agente aprenda o suficiente sobre o utilizador para fazer compras não pedidas explicitamente.
- Um estudo da Deloitte mostra 70% dos inquiridos nos EUA têm interesse na tecnologia para pagamentos e estima que 30% das transações sejam influenciadas por IA até 2030.
- O CEO da Getnet Global, Juan Franco, afirma que já há “massa crítica” de interação com agentes e que Mastercard e Visa já trabalham nos protocolos para viabilizar a tecnologia, prevendo que no futuro o agente fará tudo.
O setor financeiro e o retalho estão a preparar-se para um futuro em que agentes de IA poderão gerir compras por completo, desde a seleção de produtos até à conclusão da transação. A ideia é que, com instruções mínimas, a IA escolha itens dentro de orçamentos e preferências dos consumidores.
Numa apresentação em Lisboa, o CEO da Getnet Global, Juan Franco, lembrou que, no início, as pessoas também resistiam a usar o cartão online. O paralelismo serviu para ilustrar fases embrionárias do comércio eletrónico e o incremento gradual da confiança nos meios digitais.
Contexto e perspetivas
Estima-se que compradores norte-americanos já mostrem interesse em IA para pagamentos. Um estudo da Deloitte aponta que 70% dos inquiridos consideram útil a ideia de usar agentes de IA, com a perspetiva de que até 2030 cerca de 30% das transações possam ser influenciadas por estas tecnologias.
Os agentes de IA que gerem compras são sistemas capazes de executar várias etapas, incluindo comparação de preços, seleção de opções e execução de pagamentos. Em cenários simples, o utilizador especifica o objetivo e a IA cumpre as etapas seguintes.
Na prática, o modelo pode funcionar como um comprador digital. O utilizador pode pedir ao agente para reservar o voo mais barato e escolher hotel com determinadas avaliações. O agente analisa plataformas, pondera preferências e conclui a compra sem acompanhamento humano.
Apesar de algumas pessoas já utilizarem IA instalada nos seus dispositivos para tarefas diversas, a maioria não dispõe do know-how técnico necessário para operacionalizar sistemas mais complexos. A alternativa é que os comerciantes disponibilizem estes agentes aos clientes.
Empresas de pagamentos como Mastercard e Visa já trabalham na implementação de protocolos para facilitar este funcionamento. Segundo Franco, já se observa uma massa crítica de utilizadores a interagir com agentes, e a tendência aponta para que, no futuro, o agente organize grande parte do processo de compra.
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