Em causa está a aquisição de uma plataforma digital irlandesa, NewsWhip, adquirida pela Sprout Social, na linha do tempo de contratações públicas. O objetivo apontado é analisar notícias e prever reações públicas, com serviços que vão além da monitorização de publicações online. O Governo sustenta que não se trata de vigilância de jornalistas, apenas de clipping moderno.
Segundo o portal BASE, a administração contratualizou a NewsWhip a 1 de abril deste ano, num montante próximo de 40 mil euros. A plataforma permite monitorizar conteúdos em tempo real e avaliar tendências de opinião, com a alegada possibilidade de identificar vozes influentes em crises.
Partidos e entidades sindicais reagiram com críticas. O PS pediu divulgação do caderno de encargos; o Chega solicitou audição do ministro da Presidência; o Bloco considerou o tema particularmente grave. A Secretaria-Geral do Governo manteve que a ferramenta não visa monitorizar jornalistas.
O Governo acrescenta que a NewsWhip presta serviços a governos estrangeiros, incluindo França e Reino Unido, e que o objetivo é melhorar a gestão de informação e a seleção de conteúdos relevantes para o serviço público.
Ainda no centro da polémica, o Sindicato dos Jornalistas afirmou que o uso de rankings de jornalistas pode gerar desigualdade de acesso à informação e afirmou que a prática é potencialmente perigosa. O tema já vinha sendo explorado por críticas anteriores ao executivo.
Entre relembrados de episódios anteriores, o caso anterior envolvendo a imprensa tem alimentado o debate sobre a relação entre o Governo e a comunicação social, com acusações de uso indevido de ferramentas de vigilância na esfera pública.
Entre na conversa da comunidade