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Em contexto de guerra, videojogos são usados como arma de desinformação

Imagens de videojogos são usadas para desinformação em conflitos internacionais, alimentando propaganda nas redes sociais

Excerto de um jogo da série "Call of Duty" foi utilizado num vídeo divulgado pela Casa Branca (e entretanto apagado) no ínicio de Março
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  • Um vídeo publicado a 1 de março no X, alegando mostrar confrontos entre um navio dos EUA e uma aeronave iraniana, foi considerado falso pela AFP: eram imagens de um videojogo, não um combate real.
  • Desde o ataque de EUA e Israel contra o Irão, a 28 de fevereiro, a desinformação nas redes sociais tem aumentado, com videojogos a servir de arma de propaganda.
  • Já havia alertas anteriores sobre conteúdos de videojogos usados como se fossem cenários reais de conflitos, com exemplos que chegaram a milhões de visualizações.
  • A Bohemia Interactive, criadora de Arma 3, reconheceu o uso do jogo para conteúdo frequentemente enganoso e disse trabalhar com meios de comunicação e verificadores de dados para combater imagens falsas.
  • A utilização de conteúdos de videojogos também se estende à propaganda política, com exemplos como vídeos da Casa Branca que combinam imagens de jogos com mensagens políticas, além de discussões sobre técnicas como Machinima para criar conteúdos verossímeis mas enganosos.

Em plena escalada de confrontos no Médio Oriente, imagens de videojogos têm sido partilhadas como se mostrassem combates reais. Um vídeo publicado a 1 de março na rede social X alegava confrontos entre um navio norte-americano e uma aeronave iraniana, mas foi considerado falso pela AFP, que confirmou ser imagem de um videojogo.

Desde o início da ofensiva entre EUA, Israel e Irão, no fim de fevereiro, a desinformação intensificou-se nas redes sociais. No meio do bojo de conteúdos engañosos, os videojogos aparecem como veículo de propaganda e manipulação visual, segundo verificações de várias organizações.

A prática já vinha a ganhar notoriedade antes de operações militares específicas. Em 2023, BBC e Euronews já tinham reportado o uso de cenas de Arma 3 e Call of Duty para desinformação; em 2023 houve casos durante o conflito entre Israel e Hamas, segundo Axios.

A Bohemia Interactive, criadora de Arma 3, reconheceu que imagens do jogo já foram usadas para fins de desinformação e afirmou que coopera com meios de verificação para limitar esse uso. O estúdio também afirmou não apoiar a propaganda baseada em conteúdos simulados.

Especialistas dizem que o realismo crescente dos jogos facilita a criação de imagens convincentes sem presença de pessoas. Um vídeo de 60 euros pode gerar conteúdo fidedigno para fins propagandísticos, explica Roger Tavares, do IPB, por escrito ao PÚBLICO.

A prática inclui técnicas como Machinima, que usa jogos para criar filmes não interativos. Embora usada artisticamente, pode produzir conteúdos enganosos ao alterar resolução, movimento de câmara e som, tornando-se difícil distinguir da realidade.

Videojogos como ferramenta de propaganda

Casos recentes envolvem a Casa Branca, que publicou vídeos combinando imagens de Call of Duty com ataques reais, apenas para removê-los mais tarde. Outros conteúdos com GTA e Wii Sports também circularam, sem autorização de criadores.

Apoiada pela nostalgia, a divulgação de conteúdos de Pokémon e Wii Sports tem sido usada para transferir impulsos emocionais para causas políticas. A Pokémon Company afirmou não ter autorizado essas utilizações, destacando que não apoia agendas políticas.

Para além disso, alguns jogos com temática militar podem favorecer narrativas nacionalistas e a construção de uma visão de mundo de bem contra o mal, alerta o especialista. O Historial de Americas Army é citado como exemplo de envolvimento institucional com objetivos de recrutamento.

Além de conteúdos não oficiais, houve também produções nacionais, como animações ao estilo Lego com figuras de Donald Trump e de Netanyahu veiculadas pela televisão iraniana. A YouTube já pôs fim a uma conta que difundia vídeos gerados por IA nesse formato.

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