- Kreios Space desenvolve satélites em órbita muito baixa (150 a 400 quilómetros de altitude) com o motor ABEP, que usa o ar da atmosfera como propulsão alimentado por energia solar.
- O motor ABEP (Air-Breathing Electric Propulsion) transforma o ar captado em plasma para permitir manutenção de órbita por longos períodos, evitando consumo de combustível fóssil.
- Em 2026, a Kreios Space certificou e testou o motor em terra; o próximo passo é colocar uma unidade funcional no espaço.
- Em setembro de 2025, a empresa recebeu oito milhões de euros do Fundo de Inovação da NATO, o que tornou a Kreios a primeira startup espanhola a entrar no radar estratégico da Aliança.
- A empresa, com sede em Vigo e vasta atividade na Galiza, planeia demonstrar o motor ABEP em órbita e depois lançar constelações comerciais de observação da Terra e comunicações diretas.
A Kreios Space, startup galega, está a desenvolver satélites que operam em órbitas muito baixas (VLEO), usando um motor que respira o ar da atmosfera para propulsionar. O objetivo é manter satélites a 150–400 km de altitude sem depender de grandes quantidades de combustível. Em 2026, os testes em terra do motor ABEP foram certificados, com a etapa seguinte a ser a colocação de uma unidade funcional em órbita.
A empresa recebeu financiamento relevante da NATO, liderado pelo Fundo de Inovação da Aliança, num montante de 8 milhões de euros em setembro de 2025. Este investimento, o primeiro da NATO em Espanha, integra-se numa ronda anterior de 2,3 milhões de euros (2024), totalizando mais de 10 milhões de euros. O objetivo é demonstrar o motor ABEP em espaço e avançar para missões de observação e comunicações.
O que é a solução ABEP e porquê importa
O motor ABEP (Air-Breathing Electric Propulsion) capta o ar ambiente, transforma-o em plasma e utiliza energia solar para propulsionar. Esta abordagem para órbitas abaixo dos 500 km pretende evitar o consumo massivo de combustível e reduzir a dependência de reservas. A tecnologia pode prolongar a vida útil de satélites, sem gerar detritos espaciais significativos, desde que haja funcionamento contínuo do sistema de propulsão.
As vantagens anunciadas incluem maior resolução de imagem, conectividade de banda larga sem antenas volumosas e latência mais baixa em comparação com órbitas mais altas. Em termos de cobertura, as órbitas VLEO exigem menos energia de propulsão por satélite, mas requerem mais unidades para cobrir o planeta.
Quem está por trás e onde funciona
Seis jovens fundadores da Kreios Space, com formação em Engenharia Aeroespacial na Escola Politécnica da Catalunha, criaram a empresa em 2021. A sede fica na zona franca de Vigo, com planos de deslocar parte da produção para Porto do Molle, em Nigrán. A equipa cresceu para 17 pessoas, recebendo prémios de empreendedorismo em 2025.
O percurso atual envolve testar componentes num ambiente controlado de sala limpa e numa câmara de vácuo para simular o vazio espacial. O próximo passo é levar uma unidade funcional ao espaço, antes de avançar para uma eventual constelação comercial de satélites VLEO.
De Vigo ao Cabo Canaveral: o roadmap
Após o financiamento, a Kreios pretende lançar dois satélites de teste, incluindo a demonstração orbital do motor ABEP. Se bem-sucedida, a empresa planeia edificar uma constelação dedicada à observação da Terra e a comunicações diretas com dispositivos móveis. O lançamento pode ocorrer a partir de bases na Flórida, com eventual envolvimento de parceiros como a SpaceX ou a PDL Space, dependendo da viabilidade económica.
Perspetivas e aplicações
A observação de alta resolução, a gestão de recursos e operações de defesa são áreas-chave para as aplicações previstas. Em projetos locais, a Kreios participa em iniciativas de deteção de incêndios com a Universidade de Vigo. Além disso, as capacidades de comunicação direta podem beneficiar cenários de emergências e serviços críticos, mesmo em situações de falha terrestre.
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