A crise financeira dos media, a precariedade laboral e a crise de identidade do jornalismo aparecem como as maiores preocupações entre jornalistas portugueses. O inquérito envolve 100 profissionais de várias redações, entre dezembro de 2025 e março de 2026, com diferentes perfis.
A autora é Felisbela Lopes, catedrática do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho. O estudo aponta a urgência de acelerar os eixos 3 e 4 do Plano de Ação para a Comunicação Social, apresentado em 2024 pelo Governo anterior.
O enquadramento do plano foca a sustentabilidade económica, a valorização das condições laborais e a adaptação tecnológica das organizações mediáticas. Lopes sustenta que as medidas devem ser implementadas a curto prazo para evitar falhas estruturais.
Mudança de foco: impactos no financiamento e na qualidade
A grande maioria dos respondentes associa a crise financeira ao risco de perder qualidade jornalística. A diminuição de recursos pode comprometer projetos editoriais, a independência e a capacidade de fiscalização. A relação com a democracia aparece como factor à proteção da credibilidade pública.
Precariedade laboral surge como segundo maior obstáculo, com salários baixos, contratos temporários e trabalho por recibos verdes. Atenção é dirigida à atratividade da profissão e à redução de profissionais nas redações, o que fragiliza as equipas.
Crise de identidade e recomendações
A crise de identidade é citada como terceira grande preocupação, marcada pela perda de credibilidade e valores profissionais. A dispersão de desinformação nas redes sociais e a proliferação de conteúdos não jornalísticos dificultam a distinção entre jornalistas e outros produtores de conteúdo.
Lopes defende a criação de uma instância pública com poderes definidos por lei, para estabelecer regras éticas e profissionais claras. A ideia não é confirmar uma ordem profissional, mas conferir maior identidade à profissão e assegurar boas práticas.
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