O Xpeng P7+ foi conduzido em Barcelona para apresentar o que a marca descreve como um berlina desportiva com foco na eficiência e na tecnologia. Chega a Portugal em junho de 2026 com preço-base de 46 mil euros, numa proposta que pretende desafiar os habituais nomes do segmento premium. O discurso da marca centra-se na integração entre software de bordo e motorizações, invertendo a lógica tradicional da indústria, onde a tecnologia vem de trás para o veículo.
Nas primeiras centenas de quilómetros de condução em vias de montanha da Catalunha, o P7+ revelou um interior amplo, com bancos de qualidade e espaço generoso para a cabeça mesmo com tejadilho em vidro. Passageiros traseiros beneficiam de boa capacidade para as pernas e o habitáculo inclui opções de massagem, ventilação e aquecimento nos bancos. A bagageira oferece boa razão para o uso familiar, com volume útil aprimorado ao rebater os bancos traseiros.
Desempenho e capacidades técnicas
A versão Long Range monta uma bateria de fosfato de ferro e lítio (LFP) com 73 kWh úteis (74,9 kWh totais). A aerodinâmica do veículo permite consumos reais competitivos, estimando-se cerca de 425 km de autonomia em auto-estrada, acima de 500 km num ciclo misto. A recuperação de energia foi comprovada com carregamentos rápidos superiores em termos práticos.
No carregamento rápido, o P7+ mostra uma performance superior. Em uma estação Fastned com carregadores de 400 kW, passou de 45% para 70% em cinco minutos. A potência máxima da versão testada atinge 446 kW, ainda que o posto forneça menos. Em 10 minutos, a recuperação de autonomia pode chegar a 250–300 km, sob condições ideais. A variante com 60 kWh úteis atinge 350 kW de pico, mantendo-se entre as mais rápidas da categoria.
As versões variam em potência: o motor da versão base fornece 180 kW (245 cv), com 0 a 100 km/h em 6,9 s. A Long Range tem 230 kW (313 cv) e aceleração em 6,2 s. A versão Performance acrescenta motor adicional na dianteira, com tracção integral e 503 cv, alcançando 0 a 100 km/h em pouco mais de 4 s.
Inteligência artificial a bordo
O coração tecnológico é o chip Turing AI, desenvolvido pela própria Xpeng, com capacidade de processamento de 350 teraflops. Este sistema gere dados de 28 sensores e alimenta o assistente de condução Xpilot Assist 2.5, cuja resposta se mostrou suave e natural em várias situações de condução. Contudo, durante o ensaio, a equipa observou comportamentos que deverão ser afinados antes do fecho de software de produção, incluindo avisos de desatenção excessivos em determinadas condições de auto-estrada.
O interior também recebe destaque: um Head-Up Display (HUD) projeta imagens em 3D do que o veículo “vê” em tempo real, incluindo peões e outros veículos. Existe um modo que projeta vídeos das câmaras laterais no HUD ao acionar o pisca, funcionalidade avaliada como potencialmente distrativa. Os passageiros traseiros dispõem de um ecrã dedicado para entretenimento e controlo de funções.
Conclusões provisórias e chegada a Portugal
No trânsito de montanha perto de Barcelona, o P7+ revelou equilíbrio entre conforto de suspensão e aderência, com boa estabilidade em curvas. O sistema de estacionamento automático funcionou com precisão, mesmo com o condutor ausente do veículo. O modelo nacionaliza-se em junho de 2026, com preço de entrada de 46 mil euros, posição competitiva face à concorrência. Se os aspetos de software relacionados com os alertas de condução forem resolvidos, o P7+ pode consolidar-se como uma opção atrativa para quem procura tecnologia avançada sem recorrer às marcas premium tradicionais.
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