Pela primeira vez, uma mensagem codificada com criptografia baseada em ADN foi transmitida entre a França e o Japão durante a visita oficial ao Japão do presidente francês, Emmanuel Macron. A demonstração destacou a viabilidade prática de chaves aleatórias geradas com moléculas de ADN.
A parceria envolve cientistas do CNRS, das universidades de Tóquio, Limoges, IMT Atlantique e da ESPCI. O objetivo é permitir partilhas seguras de chaves entre locais distantes, para codificar mensagens, imagens ou sons.
Durante o evento, uma chave de criptografia foi gerada e usada para cifrar uma fotografia do laboratório e a pré-publicação científica, que foram descriptografadas em França com a mesma chave. Também foi enviada uma selfie de Macron para Paris.
Como funciona a criptografia baseada em ADN
O método utiliza sequências sintéticas de ADN com quatro bases químicas, geradas aleatoriamente e duplicadas. Essas sequências são distribuídas entre remetente e destinatário, permitindo criar chaves idênticas pouco antes da transmissão.
As chaves são lidas com máquinas de sequenciamento, assegurando que ambas as partes possuam a mesma sequência. Estas chaves são utilizadas num formato binário para codificar mensagens por meio da cifra de Vernam.
A abordagem facilita a aplicação prática do One-Time Pad, reconhecido como indecifrável teoricamente quando a chave é verdadeiramente aleatória e de uso único. A distância entre emissores não é um obstáculo.
Aplicações e perspetivas
Os investigadores defendem que a técnica pode proteger comunicações sensíveis, como trocas diplomáticas, militares ou científicas, em ambientes onde a inviolabilidade é crucial. A estrutura com apenas duas cópias reduz riscos de duplicação.
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