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Mais de 80 mil pessoas: o que querem, temem e encontram na IA

Mais de 80.508 utilizadores apontam produtividade como principal ganho da IA, mas temem fiabilidade, autonomia e pensamento crítico

A falta de fiabilidade é a principal preocupação dos utilizadores
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Um estudo da Anthropic, segunda maior startup de IA, analisou as perspetivas de 80.508 utilizadores de IA em 159 países, incluindo 417 em Portugal, através de conversas com uma versão do Claude, em 70 línguas. O objetivo foi explorar o que desejam, temem e já encontraram na tecnologia.

Entre os resultados mais repetidos está o desejo por excelência profissional e a produtividade como vantagem observada. Surpreendentemente, o maior receio não é a substituição laboral, mas a falta de fiabilidade, associada a erros e às chamadas alucinações dos modelos de linguagem.

A amostra, contudo, apresenta limitações: apenas pessoas com conta na Anthropic participaram, o que pode refletir maior entusiasmo e acesso prévio à tecnologia. Estudos anteriores indicaram que o público em geral tende a ter perspetivas menos positivas do que especialistas em IA.

O que esperam da IA

A lista de aspirações prioriza a melhoria de desempenho profissional, transformação pessoal e gestão de tempo. Relatos de utilizadores apontam ganhos de produtividade relevantes, com exemplos de casos em que tarefas demoradas viraram rápidas graças à IA, permitindo conciliar trabalho e família.

Mesmo entre profissionais sem grande contacto com o ecrã, há visões positivas sobre a IA desde que bem aplicada. Especialistas sugerem que tutores digitais podem ser uma linha de desenvolvimento, uma ideia já discutida por líderes do setor e por autoridades governamentais.

Riscos e preocupações

O estudo aponta ainda receios quanto à autonomia das máquinas e ao impacto na tomada de decisão humana. Utilizadores referem que aumentos de produtividade não se traduzem necessariamente em mais tempo ou ganhos para os trabalhadores, com alguns relatos a apontar maior carga de trabalho para manter o mesmo rendimento.

Afiam que a IA pode criar dependência de sistemas confiáveis, mas também pode apresentar informações falsas quando a confiança é elevada. Um utilizador observa que a necessidade de verificação de factos pode tornar a ferramenta menos eficaz, caso não seja suficientemente fiável.

O estudo também aborda um medo comum: comandos imparciais ou decisões administrativas que a IA possa tomar em substituição de decisões humanas. Relatos de profissionais de diferentes regiões citam riscos de erosão de autonomia intelectual e de capacidade de síntese.

O relatório reforça ainda a menção de que a IA pode acelerar a produtividade em várias áreas, mas sem garantir ganhos proporcionais para os trabalhadores, colocando o benefício principal nas empresas e não no tempo livre ou na remuneração individual.

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