Desde a Ucrânia à África, um estudo da Anthropic analisou o que as pessoas esperam da IA e o que temem, a partir de 81 mil entrevistas em 159 países.
O relatório mostra uma dualidade: o que as pessoas mais valorizam na IA é, muitas vezes, o que mais receiam ficar dependentes. Chamado de problema das luzes e sombras, o fenómeno surge com o uso emocional em paralelo a receios de dependência.
O estudo revelou ainda que, no ambiente de trabalho, a IA é vista como ferramenta para automatizar tarefas, libertando tempo para outras funções. Contudo, parte dos inquiridos teme perder capacidades cognitivas.
Percepções e exemplos reais
Um funcionário ucraniano relatou ter criado uma solução de voz para facilitar a comunicação com amigos, reduzindo a carga de leitura. O estudo acolhe casos como este para ilustrar usos práticos.
Entre os profissionais mais mencionados, advogados destacam-se pela dualidade: reconhecem benefícios na tomada de decisões, mas relatam falhas de fiabilidade da IA em quase metade dos casos.
Ao todo, 11% dos inquiridos não manifestaram receios, enquanto 89% indicaram cinco grandes preocupações que variam entre fiabilidade, impacto económico e perda de pensamento crítico.
Os maiores receios incluem decisões erradas ou de baixa qualidade (27%), seguido pelo medo de desemprego e desigualdade económica (22%) e pela possibilidade de decisões sem supervisão humana (22%).
Regulação e capacidades cognitivas
Outras inquietações passam pela perda da capacidade de pensar criticamente (16%) e pela falta de regulamentação/clareza sobre responsabilidades (15%). A confiança na supervisão humana surge como tema frequente.
Globalmente, 67% dos inquiridos têm uma visão positiva da IA, com variações regionais. Norte da América, Europa Ocidental e Oceânia são mais preocupados com governação e regulação.
Na África Subsaariana, América Latina e Sul da Ásia, a opinião tende a ser mais favorável, vendo a IA como factor de igualdade económica e acesso à educação.
Perspectivas para o desenvolvimento
Os dados serão usados pela Anthropic para orientar o desenvolvimento do seu chatbot Claude. A empresa pretende adaptar tecnologias futuras com base nos impactos percebidos.
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