A Agência Espacial Europeia (ESA) vai lançar na terça-feira os dois primeiros satélites de uma missão experimental que inclui tecnologia portuguesa. O objetivo é testar uma nova forma de navegação com satélites em órbitas mais baixas do que as atuais constelações.
A missão Celeste envolve uma primeira fase com o lançamento de 10 satélites. Os dois primeiros são menores que os oito seguintes, que deverão ser lançados em etapa posterior. A ideia é reforçar a autonomia europeia em posicionamento, navegação e tempo.
Participação e contexto
Duas empresas portuguesas integram o projeto. O trabalho técnico é importante para o sistema, mas não ficará nos satélites nesta fase. Os parceiros trabalham também em componentes terrestres essenciais para o funcionamento global.
A GMV, uma das empresas envolvidas, destaca a relevância estratégica da missão num cenário internacional marcado por conflitos. O objetivo é testar uma nova geração de satélites para reforçar sistemas europeus como Galileo, assegurando acesso autónomo a serviços críticos.
Componentes e objetivo tecnológico
A equipa de Portugal Space está a desenvolver recetores e elementos associados que vão permitir testar os sinais transmitidos pelos satélites. A tecnologia fica, contudo, na Terra, no período de avaliação.
Outro fornecedor nacional contribui para os sistemas de controlo terrestre, indispensáveis ao funcionamento dos satélites. O conjunto é parte do sistema LE0 PNT, que visa aumentar a resiliência do Galileo com mais satélites e sinais de diferentes frequências.
Benefícios esperados
Com o LE0 PNT, a receção de sinais é mais diversificada e os satélites ficam mais próximos da Terra, o que pode fortalecer a intensidade dos sinais. Os receptores que explorarem estes sinais ganham maior tolerância a interferências.
Os sistemas trabalham de forma integrada: Galileo, GPS e o novo LE0 PNT atuam em conjunto para manter a localização em cenários de crise ou conflito ou em situações de poluição do espectro. Isso aumenta a redundância da infraestrutura crítica.
O que envolve a missão
A iniciativa pretende, a longo prazo, melhorar a localização e a navegação em cenários onde os sistemas atuais possam falhar ou ser degradados. A plataforma visa assegurar que a Europa mantenha acesso estável a serviços essenciais de posicionamento, navegação e sincronização de tempo.
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