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Participação nas legislativas da Argélia cai; eleitores afastam-se

Participação histórica de apenas 20,79 % nas legislativas argelinas evidencia desmobilização cívica e tensões entre poder e oposição, com resultados ainda pendentes

Funcionários eleitorais iniciam contagem de votos após legislativas em Argel, quinta-feira, 2 de julho de 2026 (AP Photo/Fateh Guidoum)
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  • As eleições legislativas na Argélia registaram a participação mais baixa da história: 20,79% do universo de cerca de 24 milhões de eleitores.
  • Trata-se da décima legislativa desde a independência (1962) e da segunda desde o início do movimento de protesto em 2019.
  • A participação de 2021 tinha sido de cerca de 23%, revelando uma tendência de abstenção histórica e acentuada apatia entre eleitores.
  • Observadores apontam para fatores como custo de vida, erosão de liberdades e críticas ao artigo 200 da lei eleitoral, que alegadamente restringe oportunidades iguais entre candidatos.
  • O anúncio dos vencedores depende das atas recebidas do estrangeiro; os resultados vão ao Tribunal Constitucional e devem ser publicados no prazo máximo de dez dias após a receção.

O ciclo eleitoral legislativo na Argélia terminou com a participação mais baixa da história, atingindo 20,79% do universo eleitoral de cerca de 24 milhões de cidadãos, segundo a Autoridade Nacional Independente das Eleições. O pleito ocorreu ontem, e marca a décima legislatura desde a independência em 1962, em contexto de protestos iniciados em 2019.

Os resultados finais ainda dependem da receção das atas do voto no estrangeiro, dentro dos prazos legais. As atas e eventuais recursos seguem para o Tribunal Constitucional, que deve pronunciar-se dentro de dez dias após a receção, antes da publicação oficial dos resultados.

A abstenção recorde coincide com um clima de descontentamento público, agravado pela crise económica e por uma perceção de desânimo em relação ao impacto prático do voto. Observadores apontam que o ambiente de restrições às liberdades e o funcionamento do sistema político contribuíram para a dispersão do apoio.

O que está por trás do afastamento não se resume aos números. Analistas apontam fatores estruturais, como o custo de vida elevado, desemprego jovem e inflação, que tornaram o voto menos mobilizador para parte da população. A erosão da confiança no poder também é apontada como elemento central.

Além disso, o ambiente político tem gerado descontentamento com o enquadramento legal, especialmente com o artigo 200 da lei eleitoral, que críticos entendem como instrumento de exclusão de candidatos e de enfraquecimento da oposição. Partidos alertaram para riscos de desmantelamento da estrutura partidária.

No plano regional, o pleito ocorreu numa conjuntura de tensões entre o governo e diferentes vozes críticas, com organizações de direitos humanos a monitorizar eventuais restrições à liberdade de expressão, especialmente no espaço digital. A abstenção é, para muitos, uma forma de expressar oposição ao atual rumo político.

Paralelamente, a Argélia assistiu à eliminação da seleção nacional do Mundial de futebol, frente à Suíça, num contexto de vencimento de paixão desportiva e reflexão pública. A derrota foi acompanhada pela decisão de Riyad Mahrez de abandonar a carreira internacional aos 35 anos, encerrando um ciclo de 12 anos com a equipa verde.

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