- Em 2024, cerca de 43% dos jovens entre 23 e 27 anos tinham diploma de ensino superior, com quase metade dos jovens entre 18 e 20 anos a frequentar esse nível, ascendência de 13 pontos percentuais face ao período anterior à pandemia.
- Portugal destaca-se na UE pela progressão em mestrados e Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP), mostrando uma democratização da educação entre gerações mais novas e trabalhadores.
- O contexto socioeconómico continua a influenciar o sucesso académico, com jovens de meios menos favorecidos a enfrentar maiores dificuldades e a necessidade de reduzir desigualdades.
- O número de alunos estrangeiros nas escolas públicas cresceu cerca de 283% entre 2014 e 2023; em setembro de 2023, um em cada sete alunos era estrangeiro.
- Regiões como Algarve, Área Metropolitana de Lisboa e Setúbal registam maior inclusão; os brasileiros representam quase metade da população escolar estrangeira, enquanto a retenção dos estudantes estrangeiros no ensino secundário é de 29% (contra 8,3% entre todos os alunos).
Portugal lidera entre os jovens mais qualificados da UE, revela o Balanço Anual da Educação 2026, elaborado pela EDULOG, da Fundação Belmiro de Azevedo. O estudo analisa dados de 2024 sobre escolaridade e formação superior, com foco na transição educativa e nos impactos da imigração.
Segundo o relatório, 43% dos jovens entre 23 e 27 anos já possuem diploma de ensino superior. Entre os 18 e 20 anos, perto de metade acedeu a esse nível de formação, registando um aumento de 13 pontos percentuais desde antes da pandemia. As vias de mestrado e CTESP também cresceram.
A análise aponta Portugal como um “caso de sucesso” na educação, com progressos na universalização do ensino obrigatório, na redução do abandono escolar e no aumento do ensino superior. Contudo, a disparidade geracional persiste, com a população mais envelhecida exibindo níveis de escolaridade mais baixos.
Contexto económico e desigualdades
O relatório assinala que o contexto socioeconómico condiciona o desempenho académico, mantendo-se diferenças de oportunidades entre meios mais favorecidos e menos favorecidos. A redução destas assimetrias é vista como essencial para a justiça educativa.
Entre os 35 e 45 anos, a proporção com ensino secundário continua abaixo da média da UE, e a lacuna é ainda maior entre trabalhadores na reta final da carreira. A ultrapassagem geracional evidencia desafios persistentes para o sistema.
Imigração transforma as escolas públicas
Entre 2014 e 2023, o número de alunos estrangeiros nas escolas públicas cresceu cerca de 283%. Em setembro de 2023, quase um em cada sete alunos era de nacionalidade estrangeira, com determinadas zonas a superar os 30% das matrículas.
Regiões como o Algarve, a Área Metropolitana de Lisboa e Setúbal registam maior concentração de estudantes imigrantes, sinalizando uma diversidade crescente nas turmas. O Brasil continua a representar perto de metade dos alunos estrangeiros (cerca de 47%).
Desafios pedagógicos e inclusão
A diversidade de nacionalidades traz novos desafios às estratégias pedagógicas. Muitos alunos imigrantes chegam sem domínio suficiente do português, o que complica o rendimento escolar e exige mecanismos de apoio específicos.
Os autores defendem políticas educativas mais direcionadas para reduzir desigualdades e promover uma maior inclusão, com intervenções adaptadas às necessidades de cada comunidade escolar.
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