A Fundação Francisco Manuel dos Santos, através da Pordata, divulgou, no Dia Mundial da Criança, dados sobre a evolução da população infantil na UE. Portugal figura como um dos países com maior diminuição de crianças nos últimos 50 anos, numa análise que abrange os 27 da União Europeia.
Portugal tem 1 058 000 crianças, em um total de 50,6 milhões na UE. O país registou uma quebra de 12,1 pontos percentuais, a segunda maior do bloco, apenas atrás de Espanha. Em 1975, Portugal tinha 22% de crianças; em 2025 passou a 9,8%.
Entre os países da UE, Itália é o que tem menor proporção de crianças (9,1%), seguido por Portugal (9,8%). Irlanda (14,2%), Suécia (13,2%) e França (12,8%) apresentam as percentagens mais elevadas de população infantil.
Municípios e contextos familiares
Alguns municípios portugueses desafiam a tendência geral, nomeadamente Aljezur, Lisboa, Montijo e Vila Velha de Ródão, onde a proporção de crianças até aos 10 anos aumentou. Câmara de Lobos, Ribeira Grande e Porto Moniz registaram quebras maiores.
Nos 308 municípios, a variação de crianças com menos de 10 anos oscila entre 3,6% (Almeida) e 11,1% (Ribeira Grande), segundo dados de 2024. Em Portugal, 793 mil agregados com crianças menores de 12 anos incluem 69% de crianças a viver com um casal.
Educação e pobreza infantil
As crianças portuguesas passam mais tempo na escola do que a média da UE: entre os 6 e os 11 anos, 38 horas por semana, face a 31,5 horas. Até aos três anos, Portugal registra 36,7 horas semanais. A Hungria tem carga superior em qualquer grupo etário.
Quase 58% das crianças até aos três anos estavam abrangidas por educação formal em 2025, acima da média europeia de 40,5%. Em 2024, 94,5% das crianças entre três anos e a entrada na escola frequentavam o pré-escolar.
No aspeto socioeconómico, Portugal encontra-se entre os sete países da UE com as taxas de risco de pobreza ou exclusão social entre as crianças menos de 12 anos mais baixas. Em 2025, 157 mil crianças portuguesas viviam nessa situação. Nos últimos 10 anos houve melhoria, com menos 103 mil crianças em risco desde 2015.
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