- Decorreu a décima Final Nacional do Miúdos a Votos, um projeto da Rede de Bibliotecas Escolares e do Ministério da Educação, com leitura a ocupar o protagonismo em vez de promessas políticas.
- Este ano participaram 995 escolas e 118.520 alunos, distribuídos pelos quatro ciclos de ensino (1º, 2º, 3º e secundário).
- O processo inclui candidatura de livros, campanhas, debates, tempos de antena, urnas e apuramento nacional, simulações completas de uma eleição literária.
- Os livros com mais propostas tornam-se “candidatos” nacionais, com ações de comunicação estudantil, encenações e marchas de leitura nas escolas.
- O objetivo é incentivar a leitura entre os jovens e ensinar cidadania, com apoio da Comissão Nacional de Eleições e da Rádio Miúdos.
A Fundação Gulbenkian, em Lisboa, foi palco de uma festa literária que pareceu saída de um romance. Crianças, professores e bibliotecários reuniram-se numa tarde para divulgar o resultado da Final Nacional do Miúdos a Votos, um projeto que transforma livros em “candidatos” e alunos em eleitores.
Durante o evento, alunos vestiam-se a pretexto de personagens literários, apresentando encenações, músicas e cartazes. A cerimónia foi conduzida por dois jovens da Rádio Miúdos, com Guilherme d’Oliveira Martins a destacar a leitura como ferramenta formativa.
Luís Santos, da EduQA, enfatizou que aprender a ler é uma competência essencial, associando a leitura ao pensamento crítico. Reforçou o papel das escolas e dos professores neste processo de dez anos de continuidade do projeto.
Desdobramentos do evento
As escolas subiram ao palco, transformando livros em personagens e apresentando as suas campanhas. *Não Abras Este Livro* passou a jogo teatral com um guardião; *A Eleição dos Bichos* colocou animais como candidatos; e *O Rapaz do Pijama às Riscas* abordou a memória histórica com sensibilidade.
O espetáculo incluiu ainda o rap inspirado em *O Homem-Cão*, com slogans encenados em palco, e *A Metamorfose* ganhou vida através de uma dança que reflete a transformação de Gregor Samsa.
Como funciona o Miúdos a Votos
O projeto simula um processo eleitoral completo dentro das escolas. Há recenseamento, campanhas, debates, tempos de antena, urnas e apuramento nacional. Qualquer escola com currículo português pode participar, pública, privada ou estrangeira.
As inscrições abrem em outubro. Os 20 títulos mais sugeridos entram no boletim de voto nacional, com quatro boletins por ciclo de ensino. As campanhas repetem o modelo de eleição, sem propaganda em demasia, para manter o foco na leitura.
Dados e impacto
Regina Campos, da RBE, afirma que os jovens influenciam-se entre pares, o que sustenta o formato. Os votos são contados a nível escolar e comunicados à organização, que divulga os resultados nacionais com apoio da PORDATA.
Este ano o Miúdos a Votos reuniu 118 520 alunos de 995 escolas, distribuídos por 4 ciclos. O projeto celebra 10 anos de existência e mantém-se entre as maiores iniciativas de leitura escolar em Portugal.
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