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Kristin pelos olhos das crianças: sinais aos quais os pais devem estar atentos

Quatro meses após Kristin, desenhos de crianças de Leiria revelam empatia e apoio familiar; alerta para sinais de ansiedade e regressão emocional

Desenhos feitos no âmbito do projeto "Abraços Que Cuidam", após tempestade Kristin (Foto: Montagem/PIPSE/Câmara Municipal de Leiria)
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  • Quatro meses depois da tempestade Kristin, alunos de Leiria dos 3 aos 9 anos foram convidados a abraçar os colegas e a desenhar o que viram naquela noite de 28 de janeiro, no âmbito do projeto Abraços Que Cuidam.
  • O projeto, que envolve 2308 crianças de 20 escolas e 118 turmas, visa promover a regulação emocional e dar ferramentas para lidar com situações traumáticas, reforçando que a escola é um espaço seguro e de apoio.
  • Os desenhos mostraram, em maioria, experiências não ligadas à dor, com cores vivas, e destacaram atitudes de entreajuda entre crianças e apoio aos pais durante a reconstrução.
  • Sinais a vigiar pelos pais e professores incluem choro intenso, irritabilidade, isolamento, pesadelos, medo de ficar sozinho, regressão de competências e dificuldades de concentração ou já menos aproveitamento escolar.
  • Em caso de necessidade, existem respostas da escola e da comunidade, com apoio de psicólogos na educação e programas como o Reminder para jovens entre 13 e 18 anos no concelho de Leiria.

Quatro meses após a tempestade Kristin ter devastado a região centro, alunos de Leiria deram os primeiros passos para compreender o trauma vivido. O projeto Abraços Que Cuidam convidou crianças dos 3 aos 9 anos a abraçar os colegas e a desenhar o que sentiram naquela noite de 28 de janeiro. A iniciativa partiu do programa Reerguer Leiria e envolve escolas do concelho.

O objetivo é apoiar a saúde psicológica das crianças e fornecer ferramentas para lidar com emoções intensas no futuro. O coordenador do Plano Intermunicipal de Promoção do Sucesso Escolar (PIPSE) e adjunto da vereadora da Educação, Pedro Cordeiro, descreve que os desenhos revelam empatia, entreajuda e uma percepção de proteção proporcionada pela escola, pelos professores e pela família.

Os trabalhos realizados abrangem 2308 crianças de 20 escolas, distribuídas em 118 turmas. Os desenhos mostram, em muitos casos, cores vivas e referências a ajuda entre familiares e vizinhos, sugerindo uma experiência que não se centrava apenas no medo. A turma é apresentada como espaço de apoio e de encontro, onde se pode pedir ajuda entre amigos.

Sinais a observar

O psicólogo explica que as reações variam conforme o temperamento e a gestão da situação pela família, pela escola e pela comunidade. Alerte-se para choro intenso ou prolongado, irritabilidade, tristeza persistente ou isolamento. Pesadelos frequentes, dificuldade em adormecer, medo de ficar sozinho e regressões nas competências são sinais de alerta.

Para crianças mais novas, há atenção a pedir colo com frequência, dormir com os pais, recusar ir à escola ou recusar atividades anteriormente simples. Questões de atenção, concentração reduzida e conflitos com os colegas podem também indicar necessidade de apoio emocional.

Intervenção e apoio disponíveis

A intervenção envolve manter a rotina e estimular a socialização com amigos, reforçando que a escola é um espaço seguro. O diálogo ativo com a criança, ouvindo o que sente e pensa sobre o sucedido, é enfatizado como ferramenta essencial.

Caso haja necessidade, as escolas dispõem de psicólogos e orientação pedagógica, com suporte de técnicos do PIPSE. A autarquia esclarece que existem cinco profissionais de saúde mental na área da educação e da ação social dedicados a crianças.

O programa Reminder, de saúde mental juvenil, está a decorrer em Leiria para jovens entre 13 e 18 anos, com consultas gratuitas online e presenciais. O serviço já acolhe cerca de 15 jovens, com escolha baseada na prioridade de intervenção.

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