Na Índia, o colorismo persiste como herança do colonialismo, onde a pele mais clara é associada a autoridade e prestígio. A observação ocorreu numa cerimónia escolar, onde várias crianças estavam maquilhadas com tons brancos.
Segundo relatos recolhidos, os pais justificaram a prática dizendo que a aparência é considerada mais bonita. O episódio ilustra uma percepção social profundamente enraizada que valoriza a tonalidade da pele.
A narrativa histórica ajuda a enquadrar o fenómeno: textos tradicionais hinduístas celebram a beleza de peles escuras, mas séculos de domínio britânico alteraram as hierarquias de poder a favor de tons mais claros.
Durante o períodos coloniais, cargos de comando favoreceram indivíduos de pele clara, consolidando uma consciência racial que se mantém na atualidade. As consequências repercutem no acesso a oportunidades e reconhecimento social.
O impacto é visível no mercado de beleza: empresas de clareamento de pele gerem uma indústria estimada em 450 milhões de dólares, enquanto anúncios matrimoniais promovem a pele clara como ideal.
A ativista Kavitha Emmanuel, fundadora do movimento Dark is Beautiful, enfatiza que o colorismo envolve poder, estatuto e superioridade percebida, indo além da estética.
No contexto europeu, persiste a perceção de superioridade que se traduz em preconceitos sobre o Sul Global, moldando atitudes e políticas públicas de forma indireta e invisível.
Em Portugal, a relação com a diáspora indiana, brasileira ou angolana revela ambivalência entre acolhimento cultural e dúvidas sobre pertença, refletindo o peso de legados coloniais.
O artigo sublinha a necessidade de reconhecer o legado colonial e descolonizar a psique coletiva, evitando que preconceitos persistam sob novas formas na sociedade contemporânea.
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