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Pegada colonial e colorismo na Índia em perspectiva histórica

Colorismo na Índia, legado do colonialismo, continua a moldar padrões de beleza, poder e o mercado de clareamento de pele

Megafone P3
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  • Relata-se o peso do colorismo na Índia, com a preferência por pele mais clara associada a status e poder, visto numa cerimónia escolar onde crianças tinham o rosto marcado com maquilhagem branca.
  • A história mostra que, apesar de referências antigas a beldades de pele escura, a hegemonia de pele clara ganhou força durante o domínio britânico, quando cargos de poder favoreceram tons mais claros.
  • O capitalismo reforçou o fenómeno: publicidade das cidades indianas costuma apresentar apenas pessoas muito claras ou modelos ocidentais, e o mercado de clareamento de pele está avaliado em 450 milhões de dólares.
  • Ativista Kavitha Emmanuel, fundadora do movimento Dark is Beautiful, sustenta que o colorismo não é mera estética, mas uma questão de poder, estatuto e superioridade percebida.
  • Em Portugal persiste uma ambiguidade face aos descendentes de ex-colónias, com acolhimento cultural contrastando com dúvidas sobre pertença, sublinhando a necessidade de reconhecer o legado colonial e descolonizar a mente.

Na Índia, o colorismo persiste como herança do colonialismo, onde a pele mais clara é associada a autoridade e prestígio. A observação ocorreu numa cerimónia escolar, onde várias crianças estavam maquilhadas com tons brancos.

Segundo relatos recolhidos, os pais justificaram a prática dizendo que a aparência é considerada mais bonita. O episódio ilustra uma percepção social profundamente enraizada que valoriza a tonalidade da pele.

A narrativa histórica ajuda a enquadrar o fenómeno: textos tradicionais hinduístas celebram a beleza de peles escuras, mas séculos de domínio britânico alteraram as hierarquias de poder a favor de tons mais claros.

Durante o períodos coloniais, cargos de comando favoreceram indivíduos de pele clara, consolidando uma consciência racial que se mantém na atualidade. As consequências repercutem no acesso a oportunidades e reconhecimento social.

O impacto é visível no mercado de beleza: empresas de clareamento de pele gerem uma indústria estimada em 450 milhões de dólares, enquanto anúncios matrimoniais promovem a pele clara como ideal.

A ativista Kavitha Emmanuel, fundadora do movimento Dark is Beautiful, enfatiza que o colorismo envolve poder, estatuto e superioridade percebida, indo além da estética.

No contexto europeu, persiste a perceção de superioridade que se traduz em preconceitos sobre o Sul Global, moldando atitudes e políticas públicas de forma indireta e invisível.

Em Portugal, a relação com a diáspora indiana, brasileira ou angolana revela ambivalência entre acolhimento cultural e dúvidas sobre pertença, refletindo o peso de legados coloniais.

O artigo sublinha a necessidade de reconhecer o legado colonial e descolonizar a psique coletiva, evitando que preconceitos persistam sob novas formas na sociedade contemporânea.

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