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França investiga mais de 100 denúncias de abusos em escolas

Investigações na França contam com mais de cem relatos de maus-tratos em jardins de infância e escolas públicas, envolvendo monitores escolares

Pais protestam contra abusos infantis nas escolas francesas
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  • França investiga mais de cem denúncias de maus‑tratos contra crianças em dezenas de jardins de infância e escolas primárias públicas, na cidade de Paris.
  • As acusações incluem gritos, empurrões, puxões de cabelo, privação de comida, alimentação forçada até ao vómito e abusos sexuais, envolvendo crianças entre três e quatro anos.
  • O total de casos analizados envolve oitenta e quatro escolas pré-escolares, cerca de vinte escolas primárias e aproximadamente dez centros de atividades extracurriculares na capital.
  • Na próxima semana começam julgamentos em Paris de monitores acusados de abusos sexuais a cinco crianças entre três e cinco anos; há também uma decisão aguardada num caso envolvendo nove raparigas de dez anos.
  • A Câmara de Paris anunciou um plano de vinte milhões de euros para reformar o sistema de supervisão escolar, enquanto o movimento SOS Périscolaire sustenta que o problema é estrutural e sistémico.

França enfrenta um escândalo de abusos infantis envolvendo auxiliares escolares em dezenas de jardins de infância e escolas primárias públicas. As autoridades de Paris confirmaram mais de 100 denúncias em investigação por maus-tratos, violência física, agressões sexuais e violações contra crianças, incluindo algumas de três e quatro anos.

As investigações abrangem 84 escolas pré-escolares, cerca de 20 escolas primárias e aproximadamente 10 centros de atividades extracurriculares na capital. Advogados ligados aos processos indicam casos de violação envolvendo crianças de três a quatro anos, segundo o The Guardian.

Os suspeitos são monitores escolares, adultos responsáveis por supervisionar crianças durante intervalos, refeições, sestas e atividades após o horário letivo. Em França, estes profissionais são contratados pelas autarquias locais e nem sempre têm formação especializada.

Entre as denúncias, surgem relatos de gritos, empurrões, puxões de cabelo, privação de comida, alimentação forçada até ao vómito e abusos sexuais, em vários pontos do país. Pais afirmam que alertas não foram eficazmente tratados.

Julgamentos e medidas já em curso

Na próxima semana começa em Paris o julgamento de um monitor acusado de abusar sexualmente de cinco crianças entre os três e os cinco anos numa escola do 11º distrito. Também está prevista a decisão de um caso envolvendo nove raparigas de 10 anos, em outro processo.

Paralelamente, o presidente da Câmara de Paris, Emmanuel Grégoire, anunciou um plano de 20 milhões de euros para reformar o sistema de supervisão escolar. O autarca reconheceu disfunções graves e falhas nos processos de recrutamento.

Entre janeiro e abril, a Câmara de Paris suspendeu 78 monitores escolares, 31 deles suspeitos de crimes sexuais. O movimento SOS Périscolaire afirma reunir famílias afectadas há cinco anos, pedindo justiça e sustenta que o problema é estrutural em França.

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