- A taxa de emancipação juvenil caiu para 14,5% em 2025, o valor mais baixo desde registos comparáveis, segundo o Conselho da Juventude de Espanha.
- Um jovem assalariado teria de gastar 98,7% do salário líquido para arrendar casa sozinho, em Espanha.
- A renda média de habitação situa-se em 1 176 euros e o salário médio líquido de uma pessoa jovem ronda os 1 190 euros mensais. A idade média para emancipação já ultrapassa os 30 anos.
- Partilhar casa não é necessariamente acessível: representa 33,6% do salário médio e não garante condições estáveis em várias cidades.
- O documento aponta o acesso à habitação como fator de empobrecimento entre jovens e pede medidas públicas para aumentar a oferta de habitação acessível.
A emancipação de jovens em Espanha atingiu o nível mais baixo desde registos comparáveis. Em 2025, a taxa ficou em 14,5% entre os 16 e 29 anos, segundo o Observatório de Emancipação do Conselho da Juventude de Espanha (CJE). O estudo aponta dificuldades de acesso à habitação como principal entrave.
O relatório destaca que um jovem assalariado teria de entregar 98,7% do salário líquido para arrendar uma casa para viver sozinho. A idade média de emancipação já ultrapassa os 30 anos, sinal de atraso nas dinâmicas de autonomia entre os jovens.
Entre os fatores, a crise habitacional é apresentada como um dos principais agentes de empobrecimento juvenil em Espanha. O estudo aponta que, entre jovens em casas arrendadas, o risco de pobreza sobe de 25,9% para 43% após o pagamento da renda.
O que está em causa
Andrea Henry, presidente do CJE, afirma que emancipar-se quase implica empobrecer. O comunicado sublinha que o mercado de trabalho e o mercado de habitação não falam a mesma língua para a juventude.
Dados do Observatório indicam rendimento médio líquido de cerca de 1.190 euros mensais para jovens, face a uma renda média de habitação de 1.176 euros. A acessibilidade à casa é descrita como um eixo central de desigualdade intergeracional.
Arrendamento e partilha como alternativa
O aumento do custo de vida incentiva o arrendamento de quartos e o partilhar de casas. No entanto, o CJE alerta que partilhar não garante acessibilidade em muitas cidades, representando 33,6% do salário médio.
O relatório também aponta para a influência do apoio familiar na capacidade de emancipação, num contexto em que comprar habitação continua fora do alcance de boa parte dos jovens.
Medidas e perspetivas
O CJE defende medidas públicas para aumentar a oferta de habitação acessível e facilitar o acesso a habitação condigna para jovens. O organismo descreve o problema como estrutural, com consequências graves para uma geração inteira.
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