- Em 2024, 301 mil crianças viviam em situação de pobreza em Portugal, segundo o relatório Portugal Balanço Social 2025.
- A pobreza infantil não é apenas económica: envolve menos acesso a atividades extracurriculares, viagens escolares e alimentação saudável.
- Desigualdades persistem: famílias com rendimentos baixos enfrentam empregos precários e menor poder de compra, impactando o desenvolvimento das crianças.
- A escola pode funcionar como elevador social, desde que haja profissionais preparados para contextos desfavorecidos e uma relação de confiança com famílias e comunidade.
- Medidas como percursos acompanhados, envolvimento da comunidade e compreensão das barreiras das visitas de estudo ajudam a reduzir o absentismo e a promover uma resposta educativa mais integral.
Em Portugal, 301 mil crianças viviam em situação de pobreza em 2024, segundo o relatório Portugal Balanço Social 2025. Apesar de queda na taxa de risco de pobreza e de maior poder de compra, a realidade mantém-se complexa e marcada pela desigualdade.
A pobreza infantil acarreta consequências concretas no dia a dia das crianças e nas oportunidades de desenvolvimento. Quase metade das crianças pobres não participava regularmente em atividades extracurriculares; 20% não participavam em viagens escolares ou atividades não gratuitas. Mais de um terço vivia em habitações sobrelotadas.
Em 15% dos agregados com crianças pobres, não havia alimentação saudável assegurada. Os dados mostram que a pobreza não é apenas económica, mas traduz-se em menor acesso a experiências que estimulam o potencial infantil. A ciclos de exclusão tendem a perpetuar-se se não houver intervenção.
A escola como interveniente ativo
As desigualdades pedem respostas diferentes dentro das escolas, especialmente em contextos desfavorecidos. Profissionais preparados para estes cenários são fundamentais para evitar a reprodução de discrepâncias. A formação deve refletir os desafios específicos da pobreza.
Trabalhar com famílias requer uma mudança de perspetiva: reconhecer viés, valorizar contributos das famílias e construir relações de confiança entre escola e comunidade. A abordagem envolve compreensão da realidade familiar, não estigmatização.
As visitas de estudo exemplificam a necessidade de entender as barreiras para além do financeiro. Fatores como confiança, logística e referências influenciam a participação. Quando compreendidas, as barreiras podem ser removidas com soluções articuladas.
O absentismo escolar também exige respostas coordenadas. Em alguns contextos, criaram-se percursos acompanhados com envolvimento da comunidade, da escola e de parceiros locais para assegurar a presença e a segurança das crianças.
A intervenção escolar, em conjunto com famílias e comunidade, pode transformar desigualdades em oportunidades. A escola precisa de estar preparada para apoiar o desenvolvimento integral dos alunos, indo além do ensino tradicional.
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