- O economista Carlos Farinha Rodrigues associa a pobreza em Portugal à desigualdade de género, destacando mulheres acima de 75 anos, crianças e jovens como grupos mais vulneráveis.
- No Dia da Família, afirma que falta reduzir a pobreza e a precariedade social em muitas famílias portuguesas, apesar de haver condições para diminuir desigualdades.
- Em 2023, a diferença de pobreza entre homens e mulheres acima dos 75 anos era de cerca de 27 por cento; entre mulheres que vivem sós e famílias monoparentais, as taxas situavam-se em torno de 30,8 por cento.
- Estudos da Pordata de 2025 indicam oito famílias monoparentais femininas para cada duas monoparentais masculinas; o grupo da monoparentalidade representava, em 2023, cerca de um quarto das crianças em pobreza.
- O professor defende agir sobre os mais novos com apoio ao ensino, alimentação e recursos às famílias; sobre reformas laborais, diz que não há elementos que eliminem pobreza e que as mulheres são as primeiras a sofrer com restrições de direitos sociais.
A pobreza em Portugal continua a afetar grupos específicos com maior intensidade, destacando-se as pessoas com mais de 75 anos, as famílias com crianças e as mulheres. Segundo o professor do ISEG, Carlos Farinha Rodrigues, a chave está em combinar vontade política com ações centradas no género para reduzir a pobreza e a desigualdade.
A análise aponta que a pobreza é muito determinada pela desigualdade de género. Em 2023, a diferença entre homens e mulheres acima de 75 anos situava-se perto de 27%. Nas famílias que vivem sozinhas ou são monoparentais, a taxa de pobreza feminina ronda os 30,8%.
Dados da Pordata de 2025 indicam que existem oito famílias monoparentais femininas para cada duas masculinas, e o grupo monoparental concentrou, em 2023, cerca de um quarto das crianças em pobreza. O autor enfatiza a necessidade de proteger as crianças promovendo o ensino, a alimentação e o acompanhamento escolar.
A prioridade é atuar sobre as camadas mais novas, passando da teoria à prática com medidas robustas de apoio ao ensino, à escola e à alimentação. Simultaneamente, é necessário assegurar recursos às famílias para evitar que as crianças sejam afetadas pela pobreza.
Pacote laboral sob escrutínio
Com a reforma do Código Laboral em preparação para o Parlamento e sem acordo na concertação social, não ficará claro se as alterações vão reduzir a pobreza ou a desigualdade. A perspetiva apresentada aponta que medidas restritivas que afetam direitos sociais costumam deixar as mulheres entre as mais vulneráveis.
A posição do professor é de que as alterações devem considerar os impactos sobre os direitos sociais das mulheres, evitando reforçar desigualdades ao passarem uma linha que reduza apoios. A avaliação é de que mudanças sem salvaguardas podem comprometer progressos já efetuados.
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