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Pobreza baixa, mas 300 mil crianças e 540 mil idosos continuam pobres

Apesar da redução do risco de pobreza para 15,4%, mais de 301 mil crianças e 541 mil idosos continuam em pobreza, com fortes desigualdades regionais e salariais.

Sem apoios sociais, a taxa de pobreza subiria para 40,3%
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  • O risco de pobreza passou de 17 % em 2023 para 15,4 % em 2025, e o poder de compra subiu 25,2 % na última década, segundo o relatório Portugal, Balanço Social 2025.
  • Em 2024 havia about 301 mil crianças pobres e 541 mil pessoas com mais de 65 anos em pobreza; os ganhos ocorreram sobretudo nos rendimentos mais baixos, enquanto desempregados (42,6 %), famílias monoparentais (35,1 %) e menos escolaridade mantêm níveis elevados de pobreza.
  • As desigualdades persistem: os 10 % mais ricos recebem quase oito vezes o rendimento dos 10 % mais pobres, e os 25 % mais ricos detêm 46,5 % do rendimento nacional; quase 30 % das crianças pobres vivem em privação material e social.
  • Sem apoios sociais, a taxa de pobreza subiria para 40,3 %; em 2025 havia 214 mil beneficiários do Rendimento Social de Inserção, quase um terço deles menores de idade.
  • As desigualdades regionais continuam relevantes: Alentejo com 17,9 % de pobreza e Grande Lisboa com 12,2 %; Açores e Madeira apresentam níveis elevados de privação; atividades de saúde, habitação e emprego continuam com dificuldades, incluindo diferença salarial entre homens e mulheres.

O risco de pobreza em Portugal caiu de 17% para 15,4% entre 2023 e 2025, segundo o relatório Portugal, Balanço Social 2025. O poder de compra aumentou 25,2% na última década, após ajustamento à inflação.

O estudo, elaborado por investigadores da Nova SBE, destaca que as fragilidades estruturais persistem em áreas como desigualdades regionais, salariais e habitação. A evolução é positiva, mas não elimina lacunas.

A renda média disponível subiu de 9.856 euros em 2014 para 14.951 euros em 2024. O aumento real do poder de compra aponta para ganhos acima de 30% entre os escalões mais baixos.

Os maiores ganhos relativos ocorreram nos primeiros cinco níveis da distribuição de rendimentos, com elevações superiores a 30%. Ainda assim, persiste pobreza elevada entre desempregados, famílias monoparentais e menos qualificados.

Em 2024, perto de 301 mil crianças vivem em situação de pobreza, enquanto 541 mil pessoas com mais de 65 anos estão nessa condição. O relatório sublinha o peso dessas faixas etárias na leitura global.

Desigualdade de rendimentos e privação infantil

Os 10% mais ricos continuam a concentrar quase oito vezes mais rendimento do que os 10% mais pobres, e os 25% mais favorecidos detêm 46,5% do rendimento nacional. No capítulo de privação infantil, quase 30% das crianças pobres enfrentam privação material e social.

Entre os pobres, cerca de metade não participa regularmente em atividades extracurriculares, e mais de um terço vive em habitações sobrelotadas. A privação abrange também outros domínios de falta de recursos.

Papel das transferências sociais

Os autores ressaltam que as transferências sociais reduzem significativamente a pobreza. Sem apoios, a taxa subiria para 40,3%. Em 2025, há 214 mil beneficiários do Rendimento Social de Inserção, quase um terço são menores.

Desigualdades regionais e habitação

A região Alentejo apresenta a taxa de pobreza mais alta (17,9%), enquanto a Grande Lisboa fica com 12,2%. Açores e Madeira destacam-se pela privação material e social mais elevada.

A privação material atinge 10,2% da população, sendo mais frequente entre os pobres. Um terço dos agregados vulneráveis enfrenta encargos excessivos com habitação, e quase 40% não consegue manter a casa fresca no verão.

Saúde e mercado de trabalho

Na saúde, as dificuldades de acesso permanecem mais expressivas entre os mais pobres, especialmente na medicina dentária. Mais de um terço não consegue obter os cuidados necessários.

O mercado de trabalho registra melhoras, com desemprego nos 6% em 2025. No entanto, persistem diferenças salariais entre homens e mulheres, com remuneração feminina entre 57 e 72 cêntimos por cada euro ganho por um homem.

Percepção e confiança

As dificuldades económicas impactam a perceção social e política, com maiores dificuldades refletidas em menor confiança nas instituições. O relatório aponta um sentimento de pessimismo relativamente ao futuro económico do país.

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