- O projeto europeu Exploring Green Guidance tem Portugal como destaque, com 24 participantes no piloto — o maior grupo nacional entre cerca de 60 profissionais envolvidos.
- A orientação de carreira passa a incluir a sustentabilidade como critério de decisão, questionando não apenas o que querem ser, mas qual mundo pretendem construir.
- Profissionais de psicologia, orientação e educação desenvolveram práticas emergentes, com “ninjas verdes” a introduzirem a sustentabilidade nas sessões sem mandato institucional.
- O impacto inclui debates sobre mobilidade, justiça social e economia circular em escolas, e casos como o de uma criança com ansiedade climática que encontrou conforto ao criar o herói “Soldado da Terra”.
- Reforça-se a necessidade de integração nacional da sustentabilidade na orientação vocacional, com formação de profissionais, dados sobre empregos verdes e um mandato institucional claro.
O projecto europeu Exploring Green Guidance está a transformar a orientação de carreira em Portugal, integrando a sustentabilidade como critério decisivo. A iniciativa decorre em escolas, centros de emprego, universidades e gabinetes de psicologia, com foco no planeamento profissional que respeite o planeta.
No relatório Green Guidance Impact, apresentado no fim de março, Portugal destacou-se com 24 participantes, o maior grupo nacional no projecto que envolveu cerca de 60 profissionais. O princípio é simples: incluir a dimensão ambiental nas escolhas de carreira e prática profissional.
Esta mudança nasce nos próprios profissionais de educação, psicologia e orientação, que sentiram a necessidade de ligar a intervenção em carreira ao mundo real. Ao longo de meses de formação, surgiu um padrão comum: integrar dimensões sociais, económicas e políticas, para além da económica.
Soldado da Terra
Em contexto escolar, episódios simples evoluíram para debates sobre mobilidade, justiça social e economia circular. A intervenção passa a ser vista como uma parte essencial da vida nas decisões de carreira, não como ativismo. Entre adultos, muitos já viviam de forma sustentável, agora reconhecida como parte da identidade profissional.
Entre as histórias partilhadas, destaca-se o caso de uma criança com ansiedade climática, que encontrou sentido ao construir a figura de um Soldado da Terra. A prática não apaga o medo, mas oferece-lhe significado dentro de uma narrativa de intervenção psicológica reflexiva.
Entre os profissionais, o fenómeno dos chamados ninjas verdes descreve quem trabalha discretamente, sem apoio institucional claro, integrando sustentabilidade em sessões que não foram desenhadas para tal. Esta atuação mostra que a mudança ocorre apesar do sistema, não por via dele.
Sustentabilidade sem militância
Em várias escolas, a orientação verde funciona como ponte entre educação ambiental e educação cívica, sem associar-se a ativismo. O objectivo é ajudar a compreender o mundo para intervir com maior consciência, sem apontar culpados individuais.
O impacto também se faz sentir na prática, com profissionais a recuperar o sentido da profissão e a enfrentar tensões éticas. Falar de sustentabilidade deixa de ser uma forma de politização e passa a ser uma análise honesta dos efeitos sociais e ambientais do trabalho.
Entre na conversa da comunidade