- O Porto vai gastar 66 mil euros numa campanha de micro campanhas para uma movida mais equilibrada, num piloto de seis meses.
- O objetivo é testar ações junto de moradores, agentes económicos e frequentadores da noite, com conteúdos em mupis, vídeos, autocarros e redes sociais.
- A apresentação foi feita pelo vereador Hugo Beirão Rodrigues, com a agência Bastarda; não houve resposta a perguntas sobre metas quantificáveis.
- A campanha inclui projeções em fachadas, roupas nas janelas, placas toponímicas fluorescentes, mensagens nos transportes e merchandising, com o mote “tu entendes, tu sabes estar”.
- O regulamento da movida de Porto está em vigor desde 2023; dados solicitados pelo PÚBLICO sobre fiscalização e queixas não foram fornecidos pela Câmara.
O Porto vai testar um conjunto de microcampanhas ao longo de seis meses, com o objetivo de promover uma convivência mais equilibrada na movida nocturna. O projeto, com custo de 66 mil euros, envolve várias ações de comunicação dirigidas a residentes, empresários e frequentadores da vida noturna.
A iniciativa é promovida pela Câmara do Porto e desenvolvida pela agência Bastarda. O lançamento ocorreu numa sessão no Cinema Batalha, com presença de autoridades municipais, incluindo o vereador Hugo Beirão Rodrigues. O objetivo declarado é estimular comportamentos responsáveis e uma compreensão mútua entre os intervenientes.
A campanha, que já está nas ruas, inclui vídeos, mupis, placas toponímicas fluorescentes, desenhos em fachadas e projeções com figuras de moradores. As ações vão para além do espaço interno das discotecas, estendendo-se à via pública.
Plano de comunicação
Maria Martins, chefe do gabinete da Movida, apresentou materiais e ações previstas. O conteúdo publicitário centra-se no mote tu entendes, tu sabes estar e prevê peças em autocarros da STCP com mensagens de sensibilização para condutas respeitosas.
A estratégia utiliza o símbolo da roupa estendida nas janelas para marcar a presença de moradores. Em fachadas de edifícios, projecções ajustam mensagens conforme o barulho sobe, segundo a Bastarda. A técnica busca refletir a vivência da comunidade sem expor áreas residenciais vazias.
A artista Clara Não colaborou com ilustrações para placas toponímicas fluorescentes, que visam consciencializar para problemas comuns da movida, como lixo, ruído, insegurança e conflitos. O projeto inclui frases fotoluminescentes para desencorajar urinários públicos e danos na propriedade.
A equipa espera ainda envolver o público com merchandising, incluindo sacos de pano, porta-chaves fluorescentes e cones visíveis nas ruas. A campanha prevê a utilização de micro influenciadores para humanizar espaços públicos com testemunhos pessoais.
Perguntas e contexto
O PÚBLICO pediu dados sobre fiscalizações proativas, queixas e tipos de reclamações, sem obter resposta até ao fecho desta edição. O regulamento da movida, vigente desde 2023, tem vindo a sofrer alterações, incluindo alargamento da venda de álcool para consumo na via pública.
O conjunto de mudanças tem como foco reduzir o impacto sonoro e comportamentos inadequados na área central da cidade. As ações planeadas mantêm o objetivo de equilibrar interesses de residentes, comerciantes e público que frequenta a movida portuense.
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