- Verões com temperaturas superiores a 40 °C reduzem a ingestão, a produção de leite e a fertilidade das vacas, aumentando ainda mais os custos com arrefecimento e alimentação.
- A Índia foi líder mundial na produção de leite, atingindo um máximo de 239 milhões de toneladas no ano fiscal de 2023-24, embora o calor extremo desafie a continuidade desse crescimento.
- Pequenos produtores enfrentam maiores encargos para adaptar as explorações, com alguns agricultores recorrendo a rações especializadas, água e ventilação para mitigar o stress térmico.
- O stress térmico reduz a ingestão de alimentos, diminui a produção de leite e aumenta abortos espontâneos; investigadores sugerem uso de rações ajustadas e gado mais tolerante ao calor como medidas.
- Seguros climáticos para gado já aparecem no mercado, mas especialistas defendem que a resposta passa por melhorias estruturais de adaptação, não apenas por seguros.
Durante um Verão de calor extremo na Índia, temperaturas superiores a 40ºC atingiram o norte do país. A produção de leite começa a ficar sob pressão com menor ingestão de alimento e fertilidade reduzida entre os animais.
Neeraj Bharadwaj, produtor perto de Delhi, viu uma vaca nascer prematura. O bezerro nasceu pequeno, sem pêlo suficiente e recebeu leite de biberão até recuperar. Este caso ilustra um fenómeno comum em pequenas explorações.
A Índia é o maior produtor global de leite, respondendo por quase um quarto do abastecimento mundial. O sector envolve milhares de pequenas explorações com dois a cinco animais. A produção atingiu recordes recentes, mas o calor compromete a tendência.
Impacto e números
O calor extremo reduz a ingestão de alimento e desvia energia da produção de leite para a regulação da temperatura. Estudos do National Dairy Research Institute associam stress térmico a mais abortos e menor teor de gordura no leite.
Para acompanhar o custo elevado, produtores investem em refrigeração, ventilação e alimentação especializada. Bharadwaj já gastou cerca de 200 mil rupias, com manutenção adicional anual próxima de 50 mil.
Investidores do sector, incluindo operadores maiores no Punjab, conseguem adaptar-se mais rapidamente, com gestão de gado e sistemas de refrigeração. Pequenos produtores com poucos animais enfrentam dificuldades acrescidas.
Adaptar-se ao calor
Especialistas destacam que raças autóctones, como a Tharparkar, mostram maior resistência ao calor. Contudo, não bastam para resolver o desafio global sem melhorias em infraestrutura e saúde animal.
O Governo aponta para o aumento da procura de leite e prevê crescimento até 2050. Enquanto isso, o stress térmico continua a desafiar a produção sem quebras na oferta ou na qualidade.
As seguradoras climáticas já cobrem parte das perdas. A IBISA reports coberturas para gado, com pagamentos automáticos quando as temperaturas ultrapassam limiares, mas reconhece que a adaptação é indispensável.
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