Em média, 47 mulheres e raparigas morreram por dia entre 2023 e 2025 na guerra entre Israel e Gaza, segundo a ONU Mulheres. O novo relatório detalha o custo humano da conflitualidade na região.
Mais de 38.000 mortes de mulheres e raparigas em Gaza ocorreram entre outubro de 2023 e dezembro de 2025, conforme o estudo The Cost of War in Gaza on Women and Girls. O balanço partilha dados com o Ministério da Saúde de Gaza, que aponta 71.200 óbitos desde o início da ofensiva de Israel em outubro de 2023.
As mulheres, as crianças e os idosos representam mais da metade das vítimas mortais registadas, com a estimativa de vítimas ainda subnotificada devido a dificuldades logísticas na remoção de corpos sob escombros e à quebra dos sistemas de saúde. A destruição de infraestruturas civis intensificou o impacto.
Nos pavimentos destruidos, o acesso a serviços básicos tem estado severamente limitado. A distribuição de ajuda humanitária tem sido insuficiente, com escassez de alimentos, medicamentos e produtos de higiene feminina. A ONU Mulher alerta para uma violência reprodutiva sistémica na região.
Alterações demográficas e habitação
O conflito tem promovido alterações profundas nas estruturas familiares em Gaza. Mais de 58.600 agregados familiares são chefiados por mulheres, cerca de 14% do total, face a 9% em 2023. Estas famílias encaram maiores dificuldades em renda, habitação e acesso a terra.
A docente do programa de ações humanitárias da ONU Mulheres sublinha o peso das responsabilidades de chefe de família verificadas entre mulheres que passam a gerir rendimentos, alimentação e cuidados a crianças e idosos.
Em Gaza, mais de 1,9 milhões de pessoas foram deslocadas, com quase 60% da população a perder casas. A RDNA, realizada em parceria entre o Banco Mundial, as Nações Unidas e a União Europeia, confirma o desmoronar de hospitais e escolas em grande parte do território.
Infraestruturas e educação
A ONU Mulheres aponta para uma queda acentuada na disponibilidade de serviços de saúde sexual e reprodutiva e para a destruição de instalações de cuidados de saúde, incluindo maternidades. O acesso a educação também foi fortemente afectado, agravando desigualdades de género.
A organização realça que a interrupção educativa afeta de forma diferenciada rapazes e raparigas, com consequências a médio e longo prazo na autonomia económica e no mercado de trabalho feminino. O relatório recomenda ações centradas em género na resposta e na reconstrução.
Chamada à ação
A ONU Mulheres defende a implementação integral do cessar-fogo em conformidade com o direito internacional, bem como a entrega de ajuda humanitária desimpedida e esforços de recuperação com enfoque de género. O objetivo é manter as mulheres e raparigas no centro dos planos de resposta e reconstrução.
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