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Sindicato denuncia docentes a trabalhar além do previsto na acreditação de cursos

SNESup denuncia que cursos superiores utilizam docentes com carga letiva superior à reportada à A3ES, ocultando precariedade e sobrecarga

Auditório de universidade
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  • O Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) denuncia que várias universidades e politécnicos funcionam com uma carga letiva superior àquela reportada na acreditação dos cursos.
  • Docentes contratados a tempo parcial atendem a cargas equivalentes às de tempo inteiro, sem remuneração correspondente.
  • Estes dados não são reportados à Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), que utiliza informações contratuais na avaliação de recursos docentes.
  • O SNESup afirma que isso permite simular rácios de qualidade que não correspondem ao trabalho efetivo realizado e oculta a necessidade de novas contratações.
  • Propõe-se o cruzamento de dados entre a carga letiva efetiva e o vínculo contratual nos processos de acreditação, para assegurar correspondência entre o reportado e a realidade.

O Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) denuncia que várias instituições de ensino superior, incluindo universidades e politécnicos, funcionam com cargas letivas superiores às que são reportadas à Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES). A situação foi avançada à Lusa na segunda-feira pelo sindicato.

Segundo o SNESup, em muitos cursos a capacidade pedagógica real supera o que consta na acreditação. Docentes contratados a tempo parcial chegam a assegurar, em algumas situações, cargas equivalentes às de trabalhadores a tempo inteiro, sem receber junto o pagamento correspondente nem ter esse esforço refletido nos relatórios oficiais.

Alegadamente, tais discrepâncias impedem a A3ES de monitorizar com rigor os recursos docentes disponíveis, uma vez que a acreditação se baseia, entre outros fatores, em dados contratuais. O sindicato aponta que a prática leva a uma distorção dos índices de qualidade apresentados às entidades acreditadoras.

José Moreira, presidente do SNESup, afirma que o problema decorre de práticas generalizadas, sobretudo entre docentes convidados, com casos considerados graves em várias instituições, ainda que não haja números oficiais disponíveis. O sindicato descreve as situações como uma maquilhagem de dados contratuais.

Para além de não ser remunerado adequadamente, o trabalho adicional não fica reportado à A3ES, dificultando o acompanhamento da relação entre carga letiva efetiva e contratos. Assim, as instituições conseguem apresentar rácios de qualidade que não correspondem ao volume real de trabalho.

Medidas propostas pelo SNESup

O sindicato defende o cruzamento de dados entre a carga letiva efetiva e o vínculo contratual nos processos de acreditação. A ideia é assegurar que a informação reportada à A3ES reflita as condições reais de funcionamento dos cursos e impeça distorções nos indicadores de qualidade. O objetivo é assegurar maior transparência e estabilidade na distribuição de recursos docentes.

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