A Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ) afirmou que o escrutínio de informações sobre a gestão pública não deve ser interpretado como uma agenda política. A declaração surge após acusações da presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, dirigidas a um jornalista da Lusa.
O organismo sublinhou que o escrutínio serve para informar os cidadãos sobre a gestão da coisa pública e que a falta de resposta de instituições não pode servir para descredibilizar quem reporta. A CCPJ defende ainda que o exercício do jornalismo não é uma concessão do poder político, mas um pilar do Estado de Direito.
A CCPJ também afirmou que imputar falhas deontológicas a jornalistas que reportam factos incómodos é uma pressão inaceitável para limitar a liberdade profissional. O boletim reforçou o papel da comunicação social livre e independente na democracia.
Caso na Câmara de Coimbra
Foi no contexto da última reunião camarária que se fez a ligação ao tema. A notícia da Lusa sobre a Casa do Cinema de Coimbra indicava que o espaço corre o risco de perder a licença, por o município não avançar com o plano de reabilitação acordado. O jornalista João Gaspar questionou o executivo, sem obter resposta imediata.
Ana Abrunhosa acusou o jornalista de falha deontológica grave e de ter uma agenda política. Em resposta, o Conselho de Administração da Lusa reuniu-se em Coimbra com o autor da notícia, o delegado regional da Lusa e a diretora de informação da agência para expressar solidariedade e confiança no trabalho de independência e rigor do jornalista.
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