A presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, é acusada pelo Sindicato dos Jornalistas (SJ) de violar a liberdade de imprensa ao questionar a independência e o profissionalismo de um jornalista da agência Lusa. O episódio ocorreu na reunião do executivo na passada sexta-feira, onde a autarca dirigiu acusações ao repórter João Gaspar, que acompanha regularmente a sessão.
Segundo o SJ, Abrunhosa afirmou que o jornalista faltou à verdade e cometeu falhas deontológicas graves de forma sistemática, insinuando uma pretensa agenda política. O sindicato sustenta que tais declarações visam afastar o jornalista da cobertura da autarquia e pressionar a agência para o retirar das funções, ao limitar o acesso a reuniões públicas e a fontes de informação, incluindo a exclusão do contacto institucional.
O SJ afirma que os jornalistas não precisam da confiança de autarcas para exercer a profissão, considerando os comportamentos uma violação da liberdade de imprensa e possíveis ilícitos graves ao permitir restrições ao direito de acesso à informação. O sindicato denuncia ainda que tais atitudes decorrem de uma tentativa de descredibilizar o jornalista e de restringir o escrutínio democrático sobre o poder local.
Reações e posições
A Direção de Informação da Lusa repudiou as acusações da autarca, mantendo a confiança no jornalista João Gaspar. Em carta dirigida a Ana Abrunhosa, a Lusa classificou as acusações como descabidas e difamatórias, e reiterou que o jornalista goza de percurso profissional irrepreensível.
A ProPress – Associação Portuguesa de Jornalistas escreveu uma carta aberta à direção da Câmara, questionando as declarações proferidas no ato público. A associação defende a independência dos jornalistas e a necessidade de meios de retificação ou denúncia, fundamentais ao escrutínio público, sem que esse escrutínio se transforme em crucificação pública.
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