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Mulheres procuram mais amigas e menos maridos à medida que envelhecem

Estudo em Portugal mostra que, com a idade, as mulheres recorrem mais às amigas e menos aos maridos; a solidão aumenta, sobretudo entre grupos vulneráveis

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À medida que a idade avança, as mulheres recorrem mais às amigas e menos aos maridos para partilha de problemas, enquanto os homens procuram menos as companheiras e mais as próprias amigas e família para conversas sobre dificuldades. O estudo sobre a amizade realizado em Portugal apresenta estas tendências, com dados recolhidos junto de mil pessoas entre os 18 e os 64 anos.

A análise, chamada A Amizade em Portugal – Como é? O que Mudou?, indica que os portugueses, em média, têm 12 amigos, três dos quais próximos. A maior proximidade se verifica entre as mulheres, que mantêm mais amigas íntimas e discutem questões de família e saúde mental entre elas. Os homens tendem a privilegiar temas de política e desporto.

O estudo, executado por investigadores do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, revela ainda que a percepção de mudança é marcada desde a pandemia. A investigadora Luísa Lima aponta que os grupos mais pobres reduziram o número de amigos e o convívio, com aumento da solidão. No entanto, a maior parte dos entrevistados não percebeu alterações significativas nos relacionamentos.

A investigação destaca que a qualidade da vida está associada a relações sociais estáveis. A solidão é prevista pela Organização Mundial de Saúde como um problema de saúde pública. O relatório sugere políticas públicas para reduzir barreiras económicas ao convívio, como a criação de espaços públicos de convívio de qualidade, acessíveis sem custos.

A solidão aparece com maior incidência entre grupos específicos: pessoas LGBT+, desempregados e quem vive sozinho, bem como entre os mais precários. Segundo os dados, 33% das pessoas que vivem sozinhas sentem-se isoladas, contra 20% de quem vive com alguém. Entre os mais pobres, a solidão atinge 43%, face a 13% entre os mais ricos.

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