Cinco deputados e autarcas negros do partido La France insoumise (LFI) apresentaram uma queixa em Paris depois de receberem uma carta racista na Assembleia Nacional. A missiva deturpava cenas da história Tintim no Congo e trazia legendas racistas, segundo o advogado que representa os queixosos. O caso ocorreu a 26 de março, segundo o que foi relatado.
Na mesma ação, três dos queixosos avançaram com uma acção judicial em Tarbes, após serem encontradas graffiti dirigidas a várias figuras eleitas em Bagnères-de-Bigorre, nos Altos Pirenéus. O grafito foi registado pouco antes de uma manifestação anti-racismo numa praça de Saint-Denis.
Os queixosos identificados são Danièle Obono, Aly Diouara, Carlos Martens Bilongo, Nadège Abomangoli e Bally Bagayoko. Em Paris, a queixa por insultos públicos racistas foi apresentada na quinta-feira, descrevendo a carta recebida pela bancada parlamentar.
Detalhes do caso e reações
A advogada Chirinne Ardakani afirmou que o conteúdo expõe uma prática de animalização e desumanização, sugerindo uma alegada superioridade de brancos sobre negros. A responsável sublinhou que as eleições municipais recentes intensificaram o ódio dirigido a políticos.
Obono, Bilongo e Bagayoko já recorriam à justiça por incidentes anteriores envolvendo cartas com ameaças racistas, nomeadamente Bilongo, em janeiro, quando também recebeu comunicações semelhantes.
Passos seguintes previstos
Bilongo, Abomangoli, Diouara e Bagayoko indicaram que poderão levar o caso à Relatora Especial da ONU para racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância, citando arquivamento frequente de queixas e pouca reação das autoridades.
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