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Desigualdade de cuidados entre ricos e pobres ameaça justiça e coesão social

Estudo constata desigualdade no acesso a cuidados domiciliários entre setores não lucrativo e lucrativo, ameaçando a justiça social e a coesão.

Quase quatro em cada dez cuidadores cuida da mãe ou do pai
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  • O estudo “(Re)Imaginar os Cuidados no Domicílio em Portugal” analisou 510 Serviços de Apoio Domiciliário (SAD) e concluiu que existem desigualdades de acesso e qualidade.
  • Dos SAD analisados, 85,9% são organizações não lucrativas, 8,6% lucrativas e 5,5% mistas.
  • O acesso depende da capacidade financeira: utentes com menos recursos recebem, em média, apenas uma hora de cuidados por dia, enquanto o setor lucrativo oferece cobertura completa 24 horas por dia, sete dias por semana.
  • Os valores mensais variam entre os setores: não lucrativo fica entre 100 e 200 euros (28,2%) ou 201 a 300 euros (34,1%), já o lucrativo situa-se entre 501 a 1.000 euros e 1.001 a 1.500 euros.
  • Entre as recomendações estão rever o modelo de financiamento, valorizar as equipas, integrar cuidadores informais, melhorar o planeamento comunitário e aplicar tecnologia, para reduzir desigualdades e favorecer o envelhecimento em casa.

O estudo “(Re)Imaginar os Cuidados no Domicílio em Portugal” foi divulgado hoje e aponta desigualdades graves no acesso a serviços de apoio domiciliário. Pesquisado pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, o trabalho analisa modelos de Serviço de Apoio Domiciliário (SAD) no país e propõe medidas para melhorar a eficácia, integração e sustentabilidade.

Foram analisados 510 SAD, dos quais 85,9% são não lucrativos, 8,6% lucrativos e 5,5% mistos, enquadrando-se no âmbito do programa Science4Policy (S4P). O estudo é financiado pelo PLANAPP, em parceria com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

A investigação revela que o setor lucrativo consegue oferecer cobertura diária completa e serviços personalizados, enquanto o setor não lucrativo enfrenta escassez de profissionais, custos logísticos elevados e dificuldades de recrutamento. A diferença de acesso resulta em falseamento da qualidade do atendimento para idosos com menos recursos.

Desigualdades no acesso e impacto

Os valores mensais pagos pelos utentes não lucrativos variam entre 100 e 200 euros (28,2%) e entre 201 e 300 euros (34,1%). No setor lucrativo, os custos situam-se entre 501 e 1.000 euros e entre 1.001 e 1.500 euros por mês, evidenciando disparidades de financiamento.

Carla Ribeirinho explica que o modelo lucrativo permite cuidados personalizados porque é financiado de forma direta, proporcionando cobertura 24 horas por dia, 7 dias por semana. Em contrapartida, o não lucrativo foca-se em cuidados básicos de higiene, alimentação e vestuário, com média de apenas uma hora de atendimento diário em muitos casos.

Recomendações e perspetivas

O estudo sustenta a necessidade de respostas integradas, alertando para a falta de articulação entre unidades de saúde, cuidados continuados e serviços de reabilitação. Recomenda-se uma revisão do modelo de financiamento para acompanhar a complexidade dos cadastros e o território, valorização de equipas, formação de profissionais e integração de cuidadores informais.

Entre as medidas propostas estão o reforço do planeamento comunitário, a diversificação de serviços e o uso de tecnologia, como a teleassistência, para melhorar a continuidade dos cuidados e o envelhecimento em casa com dignidade.

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