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Glossários familiares: guia prático para explicar termos do dia a dia

Glossários familiares revelam que erros de linguagem fortalecem laços, gerando um léxico partilhado que persiste além da norma

Corrigir uma criança é, muitas vezes, ensiná-la a entrar na língua dos outros
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  • O texto aborda a existência de dicionários familiares, onde erros e linguagem imperfeita criam uma forma de entendimento comum entre os membros de uma família.
  • Dá exemplos como a ceia chamada de “qualquer coisa”, granola referida como “aquelas coisinhas” e o uso de termos como “proglema” ou “estôgamo”.
  • Interessa-se por como cada família constrói o seu vocabulário paralelo, com histórias de desenhos animados chamados de “desanimados” e de personagens que ganham significados próprios, como o médico “Lucas”.
  • Reflete sobre o equilíbrio entre corrigir a linguagem das crianças para que entrem na norma e manter uma forma de expressão única que as une, mesmo que já não tenha sentido completo.
  • A autora declara que escreve segundo o Acordo Ortográfico de 1990, mantendo a coerência com esse universo linguístico familiar.

Ao mergulhar nos glossários familiares, o texto explora como o erro pode sustentar a linguagem comum. A ideia central é que uma correção nem sempre é desejável, pois pode significar a perda de uma forma de ligação.

A autora partilha memórias de quando as filhas eram pequenas. Perguntava-se se queriam comer antes de dormir, chamando essa refeição de “qualquer coisa”. O termo ficou enraizado na casa, mesmo quando já existiam nomes mais precisos.

A expressão ganhou vida própria: a granola virou “aquelas coisinhas” e o iogurte, “qualquer coisa”. Em muitos lares, o vocabulário imperfeito funciona como referência prática e afetiva.

Há uma resistência genuína à correção. Parte de quem escreve prefere preservar o original, mantendo uma memória que se perde com a norma, a gramática ou a autoridade.

O texto revela que quase toda família tem um dicionário clandestino, construído a partir de mal-entendidos produtivos. Histórias de dialetos infantis aparecem como exemplos concretos.

Relatos apontam para a comunicação entre gerações: alguns nomes tornam-se símbolos, como o pediatra chamado Lucas, que vira referência para todos os médicos da casa.

Corrigir uma criança, segundo a narrativa, é ensiná-la a entrar na língua dos outros, muitas vezes abrindo mão de uma língua que era só dela.

Alguns termos permanecem, fósseis da língua privada que não se traduz. Em certa casa, o termo ciúmo continua em uso como traço identitário.

O texto encerra refletindo sobre a identidade nacional. Sem a “midade” do cotidiano, como seria a língua comum entre adultos e crianças?

Mantém-se a ideia de que os erros fundam comunidades de entendimento, fortalecendo laços familiares que resistem à normalização constante.

A autora conclui que continuará a dizer “qualquer coisa”, mesmo quando já não fizer sentido, mantendo vivo o encanto de falar entre gerações.

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