- O romeno Cristian Mungiu venceu pela segunda vez a Palma de Ouro em Cannes com Fjord, que retrata a vida de um casal romeno na Noruega e o risco de perderem os filhos.
- Antes do anúncio, Barbra Streisand recebeu a Palma de Ouro de carreira, apresentada por Isabelle Huppert, devido a motivos de saúde da homenageada.
- O Grande Prémio do Júri foi para Minotaur, de Andrey Zvyagintsev; o Prémio de Realização foi partilhado entre Javier Ambrossi e Javier Calvo (A Bola Negra) e Pawel Pawlikowski (Fatherland).
- O prémio de interpretação masculina foi para os dois intérpretes de Coward, de Lukas Dhont, enquanto o feminino foi para Virginie Efira e Tao Okamoto, de Soudain.
- A Caméra d’Or ficou com Ben’Imana, de Marie Clémentine Dusabejambo; a Fipresci e o júri ecuménico também reconheceram Fjord entre os principais vencedores.
Cristian Mungiu venceu a Palma de Ouro em Cannes com Fjord, a segunda vez que o cineasta romeno recebe o galardão, dezenove anos após 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias. Fjord reconta a história verídica de um casal que vive na Noruega e enfrenta o risco de perder os filhos perante divergências sobre educação e suspeitas de maus-tratos. O júri destacou a abordagem de questões familiares sob perspetiva humana.
Entre os restantes inspirados momentos da cerimónia, o Grande Prémio do Júri ficou com Andrey Zvyagintsev por Minotaur, que dirigiu uma mensagem sobre o fim da violência na Ucrânia. O júri foi apresentado pela atriz Zoe Saldana e dirigiu-se a um conjunto de obras de alto impacto no festival.
No total, a cerimónia premiou ainda realizadores, argumentistas e intérpretes de várias nacionalidades, mantendo o tom de diversidade e intercâmbio artístico que caracteriza o festival de Cannes. O evento contou com a participação de várias figuras internacionais do cinema e de representantes de diferentes escolas e tendências cinematográficas.
Palma de Ouro e principais prémios
O prémio máximo foi entregue por Tilda Swinton a Cristian Mungiu, que sublinhou a relevância de o cinema abordar temas pertinentes, afirmando que o filme se posiciona contra o integrismo. O prémio de Realização foi partilhado entre Javier Ambrossi e Javier Calvo por A Bola Negra, e Pawel Pawlikowski por Fatherland, reconhecendo abordagens distintas de cada projeto.
Em termos de argumento, Nadine Labaki entregou o galardão a Emmanuel Marre por Notre Salut, uma obra que debate o equilíbrio entre deveres e a humanidade. Na interpretação masculina, Geena Davis premiou Emmanuel Macchia e Valentin Campagne, de Coward, de Lukas Dhont, sobre o amor entre dois jovens na I Grande Guerra.
Quanto à interpretação feminina, Virginie Efira e Tao Okamoto, de Soudain, receberam o prémio conjunto pelas suas interpretações no filme de Ryusuke Hamaguchi, centrado num centro de acolhimento de idosos. A Caméra d’Or ficou para Ben’Imana, de Marie Clémentine Dusabejambo, uma homenagem às mulheres do Ruanda no processo de reconciliação.
Prémios independentes e confirmações
A Federação Internacional de Crítica (Fipresci) apontou Fjord como melhor filme da competição, alinhando com o Prémio do Júri Ecuménico. O júri da crítica premiou Ben’Imana em Un Certain Regard, enquanto A Girl Unknown, de Zou Jing, recebeu reconhecimento em foco de primeiras obras. A Queer Palm ficou com Teenage Sex and Death at Camp Miasma, de Jane Schoenbrun. Notre Salut levou ainda o Prémio dos Cinemas de Arte e Ensaio.
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