- A IA é descrita como uma força imparável, que está a ser transformada em arma com impactos que podem aproximar-se da guerra convencional.
- A Rússia é apontada como principal ameaça, com atividade híbrida diária contra o Reino Unido e a Europa, visando infraestruturas críticas, processos democráticos e cadeias de abastecimento.
- O Reino Unido alerta para o risco de ficar atrás no ciberespaço se governos, empresas e cidadãos não aumentarem a urgência na cibersegurança.
- O GCHQ planeia integrar IA autónoma de última geração na defesa cibernética, para agir com a velocidade das máquinas.
- A chefe da agência destaca a importância de parcerias internacionais, sobretudo com os Estados Unidos, para a segurança de ambas as nações.
A inteligência artificial é considerada uma força imparável, capaz de se transformar em arma com impactos próximos da guerra convencional. A afirmação foi feita por Anne Keast-Butler, directora do GCHQ, em Londres.
Keast-Butler descreveu o espaço atual entre a paz e a guerra como motivo de preocupação para o Reino Unido e aliados. Acrescentou que a Rússia intensifica a atividade híbrida diária contra o Ocidente.
A responsável afirmou que, sem uma reação maior, o Ocidente corre o risco de perder o domínio no ciberespaço frente a adversários como a Rússia. Falou em discurso numa unidade histórica perto de Londres.
Ameaça da Rússia
A directora apontou Moscovo como principal ameaça, acusando o país de visar infraestruturas críticas, processos democráticos e cadeias de abastecimento. Também mencionou roubo de tecnologia e planos de sabotagem.
Segundo Keast-Butler, a Rússia utiliza uma atividade híbrida que vai do mar ao ciberespaço. Disse ainda que proteger dados e infraestruturas energéticas é prioridade, incluindo cabos submarinos.
Dados recentes indicam que quase meio milhão de soldados russos teriam morrido desde a invasão da Ucrânia em 2022, segundo informações de inteligência citadas pela palestrante.
Ameaças digitais
Nos últimos meses, vários países denunciaram ataques de ciberpiratas ligados à Rússia a infraestruturas críticas, como centrais elétricas e barragens, aumentando o receio de escalada.
No mês anterior, o diretor do Centro Nacional de Cibersegurança do Reino Unido explicou que os ataques mais graves são perpetrados por Estados, entre eles Rússia, China e Irão, com potencial de agravamento num conflito internacional.
Intensificar a defesa
Keast-Butler defendeu que o terreno tecnológico está a mudar rapidamente e que há uma janela estreita para responder. Chamou a atenção para a urgência de envolver administradores, empresas e cidadãos.
O GCHQ desenvolve um plano para integrar IA autónoma de última geração na defesa cibernética, visando rapidez de reação. Quando usada com responsabilidade, a IA pode melhorar algoritmos, traduções e pesquisas de informações.
Parcerias estratégicas
A chefe do GCHQ ressaltou a importância de parcerias internacionais, nomeadamente entre Reino Unido e Estados Unidos, para a segurança de ambas as nações. Mencionou o alinhamento face a cenários de política externa.
Keast-Butler participou na conferência anual do director do GCHQ na sede de Bletchley Park, onde, historicamente, equipas decifraram códigos alemães. O local foi crucial para o desenvolvimento da informática moderna.
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