- Investigadores alertam para o aumento de movimentos radicais de esquerda e direita em Portugal, que atraem cada vez mais jovens.
- A sedução ocorre via gamificação online, exclusão social e isolamento; há maior presença de homens na extrema-direita e mais paridade de género na extrema-esquerda.
- Na extrema-direita, há misoginia e ligações com organizações jihadistas, além de mostrarem resistência à tradição liberal; a violência em Portugal continua a ser relativamente rara, mas há glorificação da violência em temas isolados.
- Dados da Europol (2020–2024) indicam 97 atos violentos da extrema-esquerda anarquista, 68 ataques jihadistas e 17 da extrema-direita; a sociedade é mais tolerante com violência da esquerda do que com outras origens.
- Autoridades afirmam que as investigações abrangem ambos os lados do espectro ideológico, e apelam à condenação pública de todo o discurso de ódio para evitar normalização da violência.
Investigadores e dirigentes de estruturas de combate à criminalidade alertaram, esta segunda-feira, para o aumento de movimentos radicais de esquerda e de direita em Portugal. O tema foi debatido no colóquio Coesão Social e os desafios da polarização urbana: uma estratégia local de segurança, organizado pela Polícia Municipal de Lisboa.
O encontro contou com a participação de especialistas da Polícia Judiciária e do Serviço de Informações e Segurança. Foram apresentados dados sobre o Panorama Nacional da Radicalização, que aponta para um crescimento de grupos organizados com diferentes tendências ideológicas.
Manuel Gonçalves, do Serviço de Informações de Segurança, destacou a sedução de jovens através de gamificação online, exclusão social e isolamento. Observou maior predominância de homens em grupos de extrema-direita, enquanto na extrema-esquerda a paridade de género é mais evidente.
Política e violência também foram abordadas. Em movimentos de extrema-direita verifica-se uma misoginia acentuada e comunicação com organizações jihadistas, com uma oposição à tradição liberal da democracia. Ainda assim, não se verificam muitos atos violentos a nível nacional.
Relativamente ao fenómeno, Luís Tomé aponta que a comunicação social tem mostrado mais tolerância para com atos violentos da extrema-esquerda, o que pode influenciar a perceção pública. Dados da Europol, entre 2020 e 2024, indicam 97 atos violentos da extrema-esquerda anarquista, 68 de jihadistas e 17 da extrema-direita.
Segundo o investigador, Portugal apresenta poucos casos de terrorismo, mas há uma tendência de normalização de ações violentas entre alguns atores públicos. Tomé sublinhou riscos caso a sociedade não repudie de forma clara todo discurso de ódio.
Filipe Pathé Duarte acrescentou que a violência da extrema-esquerda tem menor visibilidade, apesar de haver convergência com o objetivo comum de vários agrupamentos. Jovens são atraídos por causas com impacto social visível, como o combate climático.
Patrícia Silveira, diretora da Unidade Nacional de Contraterrorismo da Polícia Judiciária, confirmou que decorrem investigações para diferentes pólos ideológicos e que as autoridades tratam todos os casos de forma igual. O objetivo é manter a neutralidade na análise dos incidents.
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