O secretário-geral da ONU, António Guterres, criticou o que chamou de estado de amnésia coletiva que permitiu o regresso de ameaças nucleares. A declaração aconteceu na abertura da 11.ª Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), em Nova Iorque.
Guterres alertou que normas conquistadas ao longo de décadas estão a degradar-se e que o controlo de armamento está a morrer. Observou que o número de ogivas tem vindo a aumentar e que alguns governos consideram a aquisição de armas nucleares. O chefe da ONU pediu maior responsabilização e cooperação multilateral.
O antigo primeiro-ministro português lembrou a função central do TNP como base para prevenir proliferação, promover o desarmamento e incentivar usos pacíficos da energia nuclear. Reiterou a necessidade de revitalizar o tratado, sublinhando que os compromissos devem ser cumpridos sem condições ou atrasos.
Perspectivas e próximos passos
A conferência decorre em Nova Iorque até 22 de maio e é liderada pelo embaixador Do Hung Viet, do Vietname. O objetivo é discutir universalidade do TNP, desarmamento e salvaguardas, bem como formas de adaptar o tratado às tecnologias emergentes, como IA e computação quântica.
Foi enfatizado que a evolução do regime não deve ficar presa ao passado. A reunião visa definir medidas práticas e melhorar a transparência, responsabilidade e coordenação no processo de revisão do TNP, que está vigente desde 1970 e foi prorrogado em 1995.
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