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Portugal molda submarinos do Canadá e reforça defesa no Ártico

Portugal abre caminho no Ártico: Arpão é o primeiro submarino convencional ocidental a operar sob o gelo, influenciando a defesa do Canadá

Submarino Arpão da Marinha Portuguesa em missão no Ártico
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  • A Marinha de Portugal tornou-se a primeira a operar um submarino convencional sob o gelo do Ártico, com o NRP Arpão em mergulho profundo entre abril e junho de 2024.
  • A missão, com três dezenas de elementos e comandada pelo capitão de fragata Taveira Pinto, explorou a zona da Gronelândia durante quatro dias, incluindo abertura de passagens para subida de emergência.
  • A experiência foi apoiada por propulsão independente do ar (AIP), permitindo ao Arpão manter submersão mais longa mediante células de combustível, sem necessidade de ar fresco.
  • O Canadá usa os dados e aprendizados obtidos para adaptar a sua nova frota de submarinos, orientando modificações e doutrina para operações no Ártico, com o objetivo de substituir a frota atual de submarinos.
  • A missão reforçou o papel de Portugal como aliado na NATO e forneceu valor estratégico ao partilhar técnicas, sensores e doutrinas, especialmente para operações sob o gelo e em zonas marginais de gelo (MIZ).

Portugal vezes no Ártico: submarino Arpão pela primeira vez sob o gelo com uma embarcação convencional

O NRP Arpão tornou-se o primeiro submarino convencional vivo a operar sob o gelo do Ártico na atualidade, entre abril e junho de 2024. A missão, executada pela Marinha de Portugal, decorreu na zona da Gronelândia, com uma guarnição de cerca de 30 elementos, liderada pelo capitão de fragata Taveira Pinto, durante quatro dias.

A operação envolveu imersões profundas e a exploração da placa de gelo, com aberturas para eventual subida de emergência. O Arpão utilizou tecnologia de propulsão independente do ar (AIP), que permite prolongar o tempo de submersão sem necessidade de ar fresco, aumentando a autonomia entre duas a três semanas, conforme a velocidade.

A Marinha destacou que a iniciativa exigiu uma preparação de sete meses, com ajustes materiais e revisão de sistemas do navio, bem como a instalação de sensores de alto desempenho, incluindo sonar na torre e proteções na torre para evitar danos de gelo. A missão serviu de estudo técnico para o uso de submarinos diesel-elétricos no Ártico.

Cooperação com o Canadá e a NATO

O caso de Portugal ganhou destaque entre aliados da NATO, com o Canadá a considerar as adaptações feitas no Arpão para aplicar na sua futura frota de submarinos. O Canadá planeia adquirir até 12 submarinos convencionais para operar no Ártico e em outros mares, num projeto lançado em 2021, em meio a custos estimados entre 60 e 100 mil milhões de dólares.

O vice-almirante da Força Submarina do Canadá, Angus Topshee, e o comandante da força submarina canadiana, Harrison Nguyen-Huynh, elogiaram a cooperação e destacaram a utilidade das lições portuguesas para a preparação de futuras operações no Norte. O Canadá vê as incursões no Ártico como parte essencial da defesa de soberania e de deterrência.

Contexto estratégico no Ártico

O Ártico tem registado recordes de recuo do gelo, abrindo rotas comerciais e exploratórias. O mais recente relatório do Conselho do Ártico aponta um aumento de 40% no número de navios que operam na região, com uma distância percorrida a subir 95% nos últimos 12 anos. O degelo exige preparação para operações de alto risco, especialmente sob o gelo, onde o silêncio, a persistência e a discrição dos submarinos ganham relevância tática.

A Marinha portuguesa sublinha que o Arpão, com sensores que ajudam a mapear o gelo e a detectar água aberta, demonstra capacidades que vão além de uma única missão. As lições servem de referência para futuras operações de submarinos convencionais no Ártico, tanto para Portugal como para aliados que pretendam manter presença estratégica na região.

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