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Inovação na reprodução assistida: avanços e impactos

OdonAssist, criado por mecânico argentino, chega à obstetrícia com promessa de revolução, mas médico avisa eficácia incerta e uso limitado a uma única tentativa

Imagem de contexto do artigo Inovação ajuda a fazer nascer bebés ou não?
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OdonAssist, uma ferramenta criada pelo mecânico argentino Jorge Odon, chegou à obstetrícia com a promessa de revolucionar alguns procedimentos de parto. O dispositivo utiliza uma cabeça insuflável que envolve o bebé para facilitar a descida do feto. O inventor baseou-se na tecnologia de um saca-rolhas, numa ideia inicialmente pensada para a oficina.

Especialistas portugueses dizem que a novidade pode ter aplicação em partos vaginais demorados, evitando a urgência de uma cesariana. O obstetra Fernando Cirurgião afirma que o instrumento pode substituir, em parte, a ventosa, desde que haja tempo suficiente para a adaptação à cabeça do bebé.

Apesar da promessa, a taxa de sucesso reportada situa-se em cerca de 66%. Cirurgião ressalva a necessidade de espaço no canal de parto para o dispositivo funcionar e questiona se vale a pena insuflar o canal, sugerindo aguardar por um nascimento mais natural se possível.

O instrumento, de uso único, pode levantar dúvidas sobre a logística de falha. Ao comparar com ventosas existentes, o médico observa que a ventosa permite três tentativas; o OdonAssist oferece apenas uma. Em termos de custo, um parto natural não tem custo direto, a ventosa ronda 30 euros, enquanto o novo instrumento fica próximo dos 50 euros.

A aposta passa pela vigilância do parto, pela leitura do bem-estar do bebé e pela decisão de nascer já ou esperar. O objetivo é evitar intervenções desnecessárias e manter o acompanhamento cuidadoso do processo de parto.

Queda de episiotomias entre maiores conquistas

A redução drástica das episiotomias é destacada pela mesma equipa como uma das maiores evoluções nos partos. O obstetra sublinha que as taxas de cesariana em Portugal estão a ser alvo de críticas, associadas a induções e à prática clínica. Dados do INE indicam que, entre 1999 e 2024, as cesarianas passaram de 27,1% para 38,6% dos partos hospitalares.

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