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Inovação na reprodução assistida: avanços e impactos

OdonAssist, criado por mecânico argentino, chega à obstetrícia com promessa de revolução, mas médico avisa eficácia incerta e uso limitado a uma única tentativa

Imagem de contexto do artigo Inovação ajuda a fazer nascer bebés ou não?
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  • OdonAssist, criado pelo mecânico argentino Jorge Odon, chega à obstetrícia com a promessa de facilitar o parto, recorrendo a uma parte insuflável que envolve a cabeça do bebé.
  • O obstetra Fernando Cirurgião afirma que pode ser usado em parto vaginal demorado sem necessidade imediata de cesariana, funcionando como alternativa à ventosa, mas requer espaço no canal de parto e apresenta taxa de sucesso de cerca de 66 por cento.
  • O dispositivo é de uso único; se falhar, não permite várias tentativas, o que pode gerar resistência entre profissionais.
  • O custo envolve pouco mais de cinquenta euros, em comparação com a ventosa, que custa cerca de trinta euros; ainda assim, há dúvidas sobre a sua viabilidade prática e adoção generalizada.
  • segundo o INE, entre 1999 e 2024 as cesarianas em Portugal passaram de 27,1 por cento para 38,6 por cento dos partos realizados em hospitais, enquanto as episiotomias também registaram quedas relevantes.

OdonAssist, uma ferramenta criada pelo mecânico argentino Jorge Odon, chegou à obstetrícia com a promessa de revolucionar alguns procedimentos de parto. O dispositivo utiliza uma cabeça insuflável que envolve o bebé para facilitar a descida do feto. O inventor baseou-se na tecnologia de um saca-rolhas, numa ideia inicialmente pensada para a oficina.

Especialistas portugueses dizem que a novidade pode ter aplicação em partos vaginais demorados, evitando a urgência de uma cesariana. O obstetra Fernando Cirurgião afirma que o instrumento pode substituir, em parte, a ventosa, desde que haja tempo suficiente para a adaptação à cabeça do bebé.

Apesar da promessa, a taxa de sucesso reportada situa-se em cerca de 66%. Cirurgião ressalva a necessidade de espaço no canal de parto para o dispositivo funcionar e questiona se vale a pena insuflar o canal, sugerindo aguardar por um nascimento mais natural se possível.

O instrumento, de uso único, pode levantar dúvidas sobre a logística de falha. Ao comparar com ventosas existentes, o médico observa que a ventosa permite três tentativas; o OdonAssist oferece apenas uma. Em termos de custo, um parto natural não tem custo direto, a ventosa ronda 30 euros, enquanto o novo instrumento fica próximo dos 50 euros.

A aposta passa pela vigilância do parto, pela leitura do bem-estar do bebé e pela decisão de nascer já ou esperar. O objetivo é evitar intervenções desnecessárias e manter o acompanhamento cuidadoso do processo de parto.

Queda de episiotomias entre maiores conquistas

A redução drástica das episiotomias é destacada pela mesma equipa como uma das maiores evoluções nos partos. O obstetra sublinha que as taxas de cesariana em Portugal estão a ser alvo de críticas, associadas a induções e à prática clínica. Dados do INE indicam que, entre 1999 e 2024, as cesarianas passaram de 27,1% para 38,6% dos partos hospitalares.

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